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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A Exclusão da Evolução Humana: Artes, Filosofia e Sociologia para Que?


Profª Ma. em Educação Leticia Brito
(Alguém sem notório saber, mas com muita dedicação aos estudos de leis educacionais)

OBS: Ao longo do texto podem ser encontrados hiperlinks que direcionam o leitor para pequenos textos, vídeos e livros que tratam sobre os termos apresentados.

Outro dia vieram me perguntar porque tanto descontentamento pela retirada dessas matérias da grade curricular do Ensino Médio afinal, hoje em dia a área de conhecimento que mais cresce são as ligadas a tecnologias e ciências exatas, não as humanidades, logo não é normal que essas disciplinas não sejam prioridades educacionais?
Bom, para responder corretamente a essa pergunta os convido a uma viagem no tempo, voltemos ao tempo para analisar a figura do Homo Sapiens e responder a seguinte questão: O que nos separa dos demais animais existentes no nosso planeta? Nossa capacidade de raciocínio. De fato, nossa capacidade de raciocinar, de observar o mundo tentando compreender o que nos parecia estranho, nossa habilidade de criar elementos que facilitavam a vida e mesmo o desenvolvimento de técnicas de plantio e a criação de comunidades primitivas, ao invés de continuarmos como nômades, nos conferiu sempre status de raça superior localizada no topo da cadeia alimentar.
Contudo, voltemos ao passado e me respondam a seguinte questão: Qual foi a primeira expressão que fez com que o homem primitivo caminha-se rumo ao seu desenvolvimento intelectual, ou melhor dizendo, qual foi a primeira preocupação deste homem? A resposta certa é a necessidade de transmitir seus conhecimentos, mas como se comunicar quando a fala ainda não existia? Por meio da arte.
A arte rupestre (arte primitiva), logo não é exagero algum dizer que a arte é o que nos difere dos demais animais e que nos categoriza como humanos. Se levarmos em conta que as pinturas nas cavernas antecederam o desenvolvimento da fala e até mesmo invenção dos primeiros alfabetos, não há sentido em pensar em currículo escolar que não possua preocupação no ensino das artes para o pleno desenvolvimento intelectual do ser humano.
Uma característica marcante na nossa espécie é a busca por conhecimento, sendo assim, com o passar do tempo e a evolução da humanidade o homem que atribuía a Deuses todos os acontecimentos naturais que não sabia explicar, começou a perceber que alguns fenômenos como as estações, dia e noite, entre outros, sempre se repetiam, sendo assim o homem moderno começou a sua busca por respostas sobre a vida o universo e tudo mais. Surgia assim a Filosofia e com ela muitas conquistas e desenvolvimento de um pensar critico, foram os filósofos antigos que inventaram conceitos que são transmitidos até hoje como astronomia, cálculos, leis, a politica, até mesmo a noção  que temos do que seria democracia foi retirada da filosofia, logo não podemos tomar a filosofia por uma matéria menos importante, visto que todas as áreas do conhecimento tiveram como origem essa "disciplina inferior".
Com o desenvolvimento de sociedades complexas, surge a necessidade de tentar entender como o funcionamento da mesma pode influenciar nossas vidas, surgia assim a Sociologia que procurava  estudar a sociedade com os mesmos critérios científicos das demais áreas do conhecimento.
Toda vez que pensamos em sociologia devemos ter a clareza de saber que o homem que não consegue analisar o meio em que vive  com critério cientifico, está fadado ao retrocesso. Imaginar que uma pessoa possa se desenvolver de forma critica para ser "útil a sociedade" sem ao menos compreender qual é o seu papel dentro dá mesma é o mesmo que imaginar alguém aceitando uma vaga de trabalho sem a exigência de um salário.
Tendo feito essas considerações cabe colocar a seguinte questão: Por que retirar Artes, Filosofia e Sociologia da grade curricular do ensino médio, ministrando apenas conceitos da mesma no primeiro ano do ensino médio e depois apenas se o aluno demonstrar interesse em estudar as humanidades?
De fato, o conceito do que seria ideologia surgiu dentro dos estudos da sociedade, contudo o que cabe a mim, como estudiosa de politicas educacionais é o seguinte alerta: Não há currículo sem ideologia uma vez que a finalidade deste é preparar o homem ideal para o tipo de sociedade atual.
A pergunta que cabe aqui sempre será uma apenas, que tipo de homem a Reforma do Ensino Médio procura preparar para a sociedade? Estariamos fadados ao retrocesso de uma multidão de especialistas em um único grão de areia?
Que possamos viver em meio ao lindo e ideológico mundo perfeito, sem barreiras, interativo e globalizado e não que façamos com que os nossos jovens que a muito já estão confusos pelo excesso de informações que nunca se aprofundam, ao retrocesso do homem de Chapplin no seu celebre filme Tempos Modernos.

domingo, 25 de setembro de 2016

ANALISE SOBRE A REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Profº Ma. em Educação Leticia Brito
(Alguém sem notório saber, mas com muita dedicação aos estudos de leis educacionais)

OBS: Para leitura do conteúdo das imagens, basta clicar sobre as mesmas. 

Recentemente tenho lido muito sobre a aprovação da Reforma do Ensino Médio assinada pelo então “Presidente” Michel Temer no ultimo dia 22/09/16 e publicada no Diário Oficial da União em 23/09/16. 
A primeira reação das pessoas foi de revolta diante da urgência e incoerência de algumas ações que a medida trás, outros apontam o dedo dizendo que essa não é uma medida realizada por esse governo, pois já vinha sendo discutida pela então Presidenta Dilma Rouseff durante o seu governo. 
Mas afinal de contas, quem criou essa medida e como a mesma pode afetar drasticamente a educação de nossos jovens?

Desde 2007, com a criação pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Lei nº 11.494 de 20 de junho de 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), a discussão a respeito de mudanças necessárias para o Ensino Médio já eram discutidas, bem como a necessidade do estabelecimento de um piso salarial para o profissional docente. Contudo, cabe pontuar que mesmo que o Fundeb tenha trago as discussões sobre essa reforma, a verdade é que a Reforma do Ensino Médio nunca vai poder ser apontada como o erro do governo que caiu, basta ser um pouco critico e analisar as revogações e emendas de lei pelas quais as Leis de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) tem passado sem que ninguém se revolte, sem que ninguém aponte, medidas essas que representam com clareza a briga por poder debaixo dos nossos narizes enquanto ficamos brincando de cada um no seu quadrado, esquerdopatas ou coxinhas.
Por exemplo, vamos analisar as alterações feitas no Art. 36, da LDB que versa sobre o currículo obrigatório para o ensino médio:


 Fonte:www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm acesso em: 26/09/2016 às 01h10

Como podemos ver no quadro acima, no ano de 2008, quando o ensino de Filosofia e Sociologia tornavam-se obrigatórios na grade curricular do ensino médio, outras medidas eram revogadas, tais como a formação profissional dentro do ensino médio. Pensando em ensino técnico foram criadas leis próprias, dentro da LDB, que tratavam especialmente dessa modalidade de educação. Talvez não exista documento que simbolize mais a briga por poder  e os desentendimentos entre alianças políticas incoerentes como as emendas da LDB, isso mostra o quanto a crise na qual não podemos falar já é matéria antiga antes mesmo de se pensar em pedidos de Impeachment.

Desde 2006 muitas emendas estão sendo realizadas nas Leis de Diretrizes e Bases, basta acessar o documento e analisar todas as mudanças e discussões que, infelizmente, só são discutidas em gabinetes e chegam , nem sempre de maneira positiva, até os professores.
Voltando as discussões sobre a Medida Provisória 746/2016, vejamos como a mesma nos foi apresentada através de publicação do Diário Oficial da União:



Fonte:portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=48601-mp-746-ensino-medio-link-pdf&category_slug=setembro-2016-pdf&Itemid=30192 acesso em 26/09/2016 às 01h35

A pergunta que não quer calar é, como essa medida provisória pode ser atribuída como continuação de um governo deposto, sendo que a lei foi apresentada revogando tanto as emendas anteriormente realizada na LDB, como na lei que versa sobre o Fundeb? O que podemos esperar com tais reformas que não realizou sequer uma consulta popular?
Na realidade uma consulta foi realizada e, como podemos ver, segundo dados retirados do site do senado onde podemos acompanhar todas as votações em tramite, essa foi a resposta a opinião da população:



Fonte:www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/126992 acesso em; 26/09/2016 às 1h52

Com a medida assinada no dia 22/09 e tendo a enquete com participação popular encerrada no dia 25/09, como podemos ver na imagem acima, essa realmente foi uma medida de emergência de quem buscava trabalhar conforme seus interesses e não respeitando os anseios dos docentes e população geral.

Não é segredo a ninguém que esse governo que ai está não agrada a população, é um dos mais ilegitimos desde 1964, tanto que vem na derrubando todo e qualquer avanço realizado desde então, sendo que um dos grande avanços pós fim da ditadura militar foi a elaboração das Leis de Diretrizes e Bases da Educação. 
Essa reforma, como ai esta, trás boas ideias para educação? Sim, seria um sonho conseguir funcionar como as High School americanas, onde no primeiro ano o aluno cursa uma grade comum a todos, para nos anos posteriores escolher um currículo que melhor se adapte aos seus anseios futuros e se assemelhe a área do conhecimento que o aluno, enquanto futuro universitário pretende ingressar, onde o aluno possa, em tempo integral se dedicar aos estudos. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte, como proporcionar esse tipo de ensino quando não se há verba nem para a comida dos alunos ou mesmo para reformas básicas que a escola venha necessitar? 
Qual é o papel do aluno pobre dentro dessa escola, se dificilmente um filho de trabalhador pode se dar ao luxo de apenas estudar? A resposta já tenha sido dada por nosso Excelentissimo Presidente da Republica: “Não fale em crise, trabalhe”

Links de Pesquisa: Lei de Diretrizes e Bases Atualizada, Diário Oficial da União, decreto MP nº 746 de 2016, e Atividades Legislativas - Consulta Popular 

Obs: Para acessar os links de pesquisa, basta clicar nos hiperlinks acima.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O Aparelho Repressor e o Aparelho Ideológico de Estado

            Fonte de imagem: Questões de Concurso
 
OBS: Partes desses escritos compõem o primeiro capitulo da minha dissertação de mestrado, com direitos autorais reservados a  BRITO, Leticia dos Santos. O trabalho integral pode ser consultado na Biblioteca de teses e dissertação da Universidade Metodista de São Paulo

Quando o povo foi chamado para dar auxilio a burguesia para a efetivação da Revolução Francesa, não imaginava que os ideais tão proclamados de Liberdade, Igualdade e Fraternidade seriam tão distorcidos em sua efetivação. Subindo ao poder, tudo o que a burguesia ofereceu ao povo foi apenas a liberdade de compra e venda; a lógica agora, era a do capital. Para as massas que se transformaram em proletariado, o sonho de igualdade e fraternidade fora suprimido quando transformaram o trabalho em mercadoria.

Esta divisão do trabalho, que implica todas estas contradições e repousa por sua vez sobre a divisão natural do trabalho na família e sobre a divisão da sociedade em famílias isoladas e opostas, implica simultaneamente a repartição do trabalho e dos seus produtos, distribuição desigual tanto em qualidade como em quantidade; dá, portanto origem à propriedades cuja primeira forma, o seu germe, reside na família, onde a mulher e as crianças são escravas do homem. A escravatura, decerto ainda muito rudimentar e latente na família, é a primeira propriedade, que aqui já corresponde alias à disposição da força de trabalho de outrem. De resto, divisão do trabalho e propriedade privada são expressões idênticas – na primeira, enuncia-se relativamente à atividade o que na segunda se enuncia relativamente ao produto desta atividade. (ENGELS, MARX, 1933)

A lógica da repartição do trabalho e da propriedade entre diferentes setores sociais aumentava a distancia entre os homens, a exploração do homem pelo homem era aceita como uma necessidade para o desenvolvimento social. Fato que se agravou após a Revolução Industrial, que acabou enraizando a necessidade de transformar o trabalhador em mão-de-obra. Era a lógica da mais valia segundo a qual o homem vendia sua força de trabalho em troca de salário para adquirir bens de consumo.
Os aparelhos de estado funcionavam todos pela força repressiva. Os aparelhos de estado de Marx podiam ser divididos nas seguintes esferas: O governo, a administração, o exército, a policia, os tribunais, as prisões, entre outros. Os aparelhos de estado funcionando seguindo sempre a lógica do capital.
Contudo, levando em consideração todas as transformações do capitalismo durante a história, talvez a teoria sobre AIES (Aparelhos Ideológicos de Estado) que mais se aproxime de explicar a realidade atual seja a teoria apresentada por Louis Althusser (2007), famoso intelectual que seguia os princípios marxistas para a análise do estado e tentou completar o estudo sobre os aparelhos de estado apresentando a teoria dos aparelhos ideológicos de estado, que supunha que através da ideologia disseminada conseguia-se manter a ordem social vigente mesmo em tempos de crise.
Mas em que ponto os AIES diferem do aparelho repressivo de estado?

Num primeiro momento podemos observar que, se existe um Aparelho (repressivo) de Estado existe uma pluralidade de Aparelhos ideológicos de Estado. Supondo que ela exista, a unidade que constitui esta pluralidade de AIE num corpo único não é imediatamente visível. Num segundo momento, podemos constatar que enquanto o aparelho (repressivo) de Estado, unificado, pertence inteiramente ao domínio publico, a maioria dos Aparelhos ideológicos de Estado (na sua dispersão aparente) releva pelo contrário do domínio privado. (ALTHUSSER, 2007:45)

Os aparelhos ideológicos de estado diferem do aparelho repressivo de estado uma vez que não se ligam somente ao setor publico como também tem ligação direta com o setor privado que mesmo não sendo publico está repleto da ideologia social vigente; logo, reforçam a ideologia do Estado.
Para Althusser existem em toda sociedade os seguintes aparelhos ideológicos de estado: O AIE religioso (representado pelo sistema das diferentes igrejas); o AIE escolar (representado pelo sistema das diferentes escolas publicas e particulares); o AIE familiar; o AIE jurídico; o AIE politico (representado pelo sistema politico de que fazem parte os diferentes partidos); o AIE sindical; o AIE da informação (imprensa, rádio, televisão, entre outros) e o AIE cultural.
Contudo, a minha pretensão não é fazer a análise de cada aparelho ideológico citado, antes a principal função desses escritos é dissertar sobre a função do aparelho ideológico escolar de estado e de como este tem exercido uma forte influência sobre o destino dos brasileiros que, ao longo dos tempos, veem na educação a única chance de ascensão de classe. Mas, até onde a ideologia presente nesse setor da vida social realmente favorece e em que ponto acaba culpando muitas pessoas por um fracasso que deveria ser cuidado pelo Estado para que não mais acontecesse?
Mas essa parte fica para o próximo texto, onde dissertarei sobre  a Escola Capitalista, apontando suas características principais e impactos na educação.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O Que Não Se Pode Mudar

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente, não aceites o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar".

Li alguns textos de Bertolt Brecht há muito tempo atrás, quando tinha exatamente 20 anos e procurava inspiração para escrever algo que pudesse ser grande o suficiente para ser inesquecível para mim, tanto que quando iniciei meu mestrado não tive duvida, o trecho acima seria a epigrafe do meu trabalho.
E porque esse trecho em especial? Ele porque ao ler esses escritos eu não me transportei há um passado onde eu não passava de uma criança, uma menina bonitinha e distraída que não se dava muito bem na escola. Era muito inquieta, tinha o sonho de ler todos os livros do mundo, mas em verdade não conseguia nem junta-las, fazer com que elas dessem as mãos para que pudessem formar palavras, ou seja, fui mais uma das tantas crianças moradoras de periferia que fracassou de alguma maneira na escola.
Posso dizer por conhecimento de caso como dói ser apontada como inferior, essa sempre é uma das horas em que você para e pensa: O que devo fazer agora? As escolhas sempre foram apenas duas, ou eu me entrego a um futuro já traçado, ou me transformo em uma pessoa subversiva, que enfrenta o status quo e diz para si mesmo com orgulho: - Quem escolhe o que vai acontecer sou eu.
Foi assim que escolhi por tema de estudo fazer a seguinte pergunta: Qual é o local da criança pobre dentro da escola publica? Seria essa escola realmente democrática?
Era com pesar que, a cada nova pesquisa sobre o perfil do aluno pobre eu me chocava, pois desde a época em que começaram a pensar a abrir a escola para todos as viram como um problema a ser solucionada, nunca com um potencial a ser alcançado se bem trabalhado. Ao longo da historia o que se vê com clareza é o preconceito sempre culpando o local de moradia, a má alimentação, a família, a situação financeira. Nunca culparam a si mesmos por terem apenas se apropriado de metodologias nunca de fato criando um real método educacional que desse conta de solucionar o problema do fracasso escolar das crianças pobres.
Mesmo diante de um panorama devastador, tudo o que eu queria provar era que nada é impossível de se mudar, e meus primeiros passos como pesquisadora foram apontar o problema e trazer a reflexão sobre como "de fato" podemos alterar esse panorama de preconceito e estigmatização, fazendo com que fiquemos próximos a criação de um jeito de se fazer educação com a cara do Brasil, não um Frankstein de metodologias francesas, americanas, portuguesas, pois creio que só assim conseguiríamos mudar a cara e a realidade das nossas crianças carentes junto a escola.
Com minhas pesquisas iniciais comecei a esboçar um pensar para além do que temos, pretendo futuramente, em estudos posteriores , mais avançados e elaborados começar a apontar soluções para esse problema, mas por hora vou postando por esse espaço trechos com meus temas de estudos, que compuseram os capítulos da minha dissertação de mestrado, tentando chamar pessoas para mostrar o quanto é possível mudar, pois derrota só existe para aqueles que acreditam que não podem mudar nada, para os sonhadores de espirito e exatos de ação, tudo pode ser alterado, até a realidade mais dolorida pode e deve ser mudada.
Convido a quem queira dar uma espiada nos meus pensamentos, deixando a seguinte reflexão: tudo pode e deve mudar, pois a essa habilidade damos o nome de evolução.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O Ano do Zé Ninguém

Fonte de imagem:Blog Poiesis &Aisthesis

 Obs: através dos hiperlinks podem ser encontrados o livro em PDF e informações sobre o autor
 
Esse ano foi um ano atípico no nosso país, lutamos por causas vazias, e fechamos os olhos para tantas outras lutas legitimas. Nas redes sociais cresce cada vez mais a legitimação da intolerância e ódio expostas como apenas "opinião pessoal". Cada vez mais as pessoas tendem a expor sua vida como se vivêssemos em pequenos realitys shows que nos punem se não publicarmos o que sentimos, o que comemos, os nossos corpos, nossas tristezas e alegrias. Banalizamos e esquecemos do significado de publico e privado como se um e outro não fossem diferentes para nós.
Com base nessa analise me lembrei de um livro muito bom que li no ano de 2005, quando então eu entrava pela primeira vez em uma universidade, foi um livro que me marcou e releio de tempos em tempos quando o espaço a volta parece tão perturbador como o atual. Leio para me lembrar quem eu sou e o futuro que eu quero ter, leio para reconstruir e aceitar conceitos que são próprios a minha pessoa e que, nem por isso, devem ser questionado.
O livro em questão chama-se: Escute, Zé-ninguém, de Wilhelm Reich  que inicia com a seguinte reflexão:
"Chamam-te Zé-ninguém. "Homem Comum" e, ao que dizem, começou a tua era, a "Era do homem Comum". Mas não és tu que o dizes, Zé-niguém, são eles, os vice presidentes das grandes nações, os importantes dirigentes do proletariado, os filhos da burguesia arrependidos, os homens de Estado e os filosófos. Dão-te o futuro, mas não te perguntam pelo passado.
Tu és herdeiro de um passado terrível. A tua herança queima-te as mãos, e sou eu que te digo. A verdade é que todo o médico, sapateiro, mecânico ou educador que queira trabalhar e ganhar o seu pão deve conhecer as suas limitações. Há algumas décadas, tu Zé ninguém, começastes a penetrar o governo da Terra. O futuro da raa humana depende, à partir de agora, da maneira como pensas e ages. Porém nem os teus mestres nem teus senhores te dizem como realmente pensar e és, ser inabalável senhor dos teus destinos. És "livre" apenas num sentido: livre da educação que te permitiria conduzires a atua vida como te aprouvesse,a cima da autocritica.
Nunca te ouvi queixar: "vocês promovem-me a futuro senhor de mim próprio e do meu mundo, mas não me dizem como fazê-lo e não me apontam erros no que penso e faço".

Dentre muitas reflexões que o texto levanta, a mais marcante talvez seja a que nos fala de como não sabemos lidar com a nossa liberdade e de como, por vezes, fingimos entender ideias, quando em verdade distorcemos o seu sentido de forma a nos perder.
Talvez o mais gritante de se aceitar é a verdade de que nós, e mais ninguém, somos responsáveis pelas escolhas que fazemos ao longo da vida. Porque essa constatação nos torna coniventes com tantas barbáries que preferimos esquecer de tudo e admitir a nossa neutralidade. Temos a necessidade de sempre nos apoiarmos em representantes pois assim sempre podemos culpar o presidente, os políticos, nossos lideres e chefes pelas mazelas que escolhemos.

Leitura mais do que obrigatória para quem aceita o desafio de se desconstruir, para quem aceita se olhar no espelho para enxergar suas imperfeições e para todos aqueles que ousam ter a esperança de passar do status de Zé-ninguém para Alguém, pois ao final esse é o trabalho do autor, nos mostrar que por mais difícil que pareça sempre há a possibilidade de mudar  de evoluir rumo ao melhor em nós, aceitando o risco da nossa completa liberdade.





segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Somos os Gays de Ontem




Em 8 de março de 1857, em uma fábrica de tecelagem Norte Americana, 130 mulheres que protestavam em busca de direitos e condições de trabalho iguais, foram trancadas como animais e acabaram falecendo carbonizadas por um incêndio criminoso que tentava lhes aplicar um castigo exemplar para que parassem de importunar seus superiores com questões tão banais.
Somente em uma conferência realizada na Dinamarca, ficou acertado que o dia 8 de Março seria internacionalmente comemorado em homenagem a essas trabalhadoras que morreram de maneira tão trágica. Contudo, apenas no ano de 1975 a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional das Mulheres.
Enquanto isso, aqui no Brasil, no dia 24 de Janeiro de 1932, as mulheres conquistaram o direito ao voto, bem como o direito a se candidatarem a cargos públicos. Mesmo diante dessa conquista feminina, apenas no ano de 2010 conseguimos eleger a primeira mulher presidente do país.
Não escondi minha euforia pessoal, quando soube que duas mulheres disputariam o cargo de presidenta esse ano: Luciana Genro e Dilma Roosevelt. Depois da fatalidade ocorrida com Eduardo Campos, ver Marina Silva e Dilma liderando a pesquisa de intenção de votos não deixou de ser um avanço para as conquistas femininas. Afinal, as mulheres sempre foram tão guerreiras que passaram todo esse tempo histórico lutando para serem vistas com igualdade que esses pequenos avanços merecem ser comemorados
Mas por que  fazer  esse histórico de conquistas femininas?
Simplesmente para ilustrar uma das poucas verdades nas quais eu acredito: os gays ocuparam o nosso lugar como uma subespécie incapaz de contribuir para o bem social e comum.
No último debate político exibido na rede Record, pudemos conhecer um pouco da intolerância e homofobia do candidato a presidente Levi Fidelix que através de suas palavras atacou de forma extremistas e agressiva a comunidade LGBT do nosso país. Não bastasse todo o seu ódio mostrou também seu desprezo pelas mulheres, uma vê que acredita que mulheres existem apenas para ter filhos perpetuado a nossa espécie.
Poderíamos deixar que essas considerações  cretinas não nos afetasse, afinal, segundo as pesquisas, ele nem tem tantas intenções de votos, por outro lado, com seu espetáculo conseguido despertar o ódio que muitos brasileiros sentem, e por mais que tenhamos visto desde ontem a onda de protestos nas redes sociais contra suas palavras, nos comentários de reportagens e videos a respeito do ocorrido sempre achamos depoimentos daqueles que apóiam seu pensamento.
Num portal de noticias (Terra), nos cometários li muitas respostas em apoio ao "sensato" senhor de família, em um até faziam insinuações do despreparo de Luciana Genro e de como ela era utilizada como fantasia sexual de um comentarista em especifico. No momento em que li tais comentários me lembrei do recente jovem morto por ser gay e de como sempre tentam assustar os diferentes pelo medo. Essas pessoas agem com tal puritanismo diante da sexualidade alheia, que parece que nenhum deles cogita a possibilidade de fazer sexo apenas por prazer, agem como se vivessem dentro da comunidade utópica do romance de George Orwell, 1984, e se esse for o mundo dos justos e bons cidadãos, desculpe-me, mas dessa sociedade eu não quero fazer parte.
Sendo assim, queria reafirmar o que o título deste post diz, somos os gays de ontem, por isso consigo sentir empatia pela causa LGBT, por isso chorei quando o supremo votou a favor do casamento igualitário, por isso me emociono com as histórias que leio a respeito de casos violentos praticados por homofobia. Por isso espero que essa comunidade não precise passar pela vergonha de ganhar um dia todo seu que, no fundo, só vai lembrar a todos que pertencem a essa comunidade a pulsão de ódio que tantos sentem por eles.
A todos os membros da comunidade LGBT só posso desejar um passado de lutas , sim, porque lutar faz parte de ser humano, mas que as lutas possam leva-los  a conquista de seus direitos em um tempo histórico bem menor que o feminino.



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Porque Eu Também sou Maria

Vídeo: VIDA MARIA

Não tem nada mais importante na vida do que a capacidade de sentir empatia, de se colocar no lugar do outro.
- Mas a vida é questão de escolha?
E quando você não tem escolha, quais são suas oportunidades de crescimento. Só porque eu também consigo me colocar no lugar de Maria, chamo todos a fazer a seguinte reflexão: -Será que nossas oportunidades realmente são iguais?

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

CUERDAS, ou o Que te Levou a Ser Professor?



Indico este video para todo e qualquer profissional da área da educação , pois nessa função que escolhemos a reflexão se faz necessária todos os dias e se não temos um motivo tão belo para exercer a profissão que escolhemos, o melhor a fazer é tentar se aventurar em outra carreira que não essa.
Além de levantar essa reflexão, esse belo video nos lembra de um conceito que estamos perdendo com o tempo a empatia, capacidade de colocar-se no lugar do outro para compreender e aceitar o diferente.

PS: Se quiserem deixar comentários respondendo a pergunta do titulo, sintam-se a vontade. Vamos dialogar.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Remendo Histórico




E assim a sonhada liberdade foi decretada, não conquistada. Os negros abandonavam as fazendas com a esperança de nunca mais sofrer com a intolerância dos seus senhores e assim poderem construir um futuro melhor para seus filhos, afinal, era a primeira vez que eles podiam pensar no futuro que viria.
Contudo, uma vez libertos era com se não mais existissem, nas fazendas foram substituídos por imigrantes italianos. Sem ter onde morar, sem direito a educação ou mesmo direito ao trabalho remunerado, acabaram por continuar escravos, mas agora era como se fossem escravos de si mesmos. Assim foram surgindo as favelas, os vendedores ambulante e a persistência da descriminação ao longo dos tempos que acabou gerando muitos dos problemas sociais que hoje enfrentamos.

Mas porque voltar na história e falar novamente sobre esse assunto? Qual a atual relevância desse tema?
Ontem com a aprovação  unanime da constitucionalidade das cotas raciais para o ingresso nas universidades publicas e estaduais todos nós brasileiros participamos de mais uma grande conquista para o nosso país rumo ao combate ao racismo.
Sei que muitos não aprovavam ou mesmo conseguem ver nessa medida um avanço, antes consideram ela como um retrocesso, uma vez que o julgamento deu muito enfoque a questão do negro deixando outras minorias de fora da discussão. Mesmo assim a vejo como uma boa medida, alias, a unica medida de educação compensatória que considero bem sucedida, uma vez que desde que as cotas foram oferecidas, elas tem sido eficientes e hoje o numero de negros que cursam o ensino superior aumentou consideravelmente. Agora temos que esperar as discussões não apenas referentes aos povos oprimidos da nossa terra como os índios e os negros, índios esses que também foram contemplados pelas cotas, afinal, sempre foram os negros dessa nossa terra. O segundo passo agora será a discussão em favor dos estudantes vindos das escolas publicas e os jovens de baixa renda, e espero ansiosa que venha mais uma vitoria em nosso horizonte, afinal de contas, aos poucos o Brasil está mudando, é certo que muito ainda precisa mudar, mas o fato é que enxergar as mudanças nos faz retomar a vontade de lutar por um país melhor que, mesmo que não seja para mim, mas que para o meu filho será um bom lugar para se viver futuramente.

Aos filhos daqueles que plantaram sem nada colher a herança tardia que agora se anuncia.



quarta-feira, 28 de março de 2012

Covardia Sentimental


Acredito que falar sobre educação é discursar sobre os conflitos da vida humana, por isso, falarei sobre um tema dificil nessa área: os sentimentos
Quantas não foram as lutas para que nas nossas relações intimas pudessemos ter mais liberdade e poder de escolha? Antigamente mulheres eram vistas como moeda de troca, eram ensinadas que amor se aprende a sentir com o tempo, mesmo que sua família tenha escolhido o ser mais repugnante para ser o seu parceiro você deveria aceita-lo, nunca questionar seus atos e, por fim, ser sua doce esposa.
Graças a luta de muitas mulheres de coragem conquistamos toda a liberdade que temos atualmente, fazemos parte do mercado de trabalho, nossa escolaridade aumentou e muito, temos liberdade sexual para escolher o parceiro que quisermos e mesmo para simplesmente fazermos sexo casual. Contudo o que estamos fazendo com a liberdade adquirida ao longo de todos esses anos de lutas de mulheres realmente fortes quando o assunto são nossos sentimentos ?
Me incomoda ver exemplos de meninas novas que acham que qualquer coisa que fale de sentimento é algo infantil, como se desejar carinho ou ser amada fosse algo muito errado. Declarar amor verdade hoje em dia é a nossa kriptonita, e quem quer ser fraco, não é mesmo.
Parece que, confusas, estamos utilizando toda nossa liberdade sexual para ser tão ignorantes como alguns homens machistas que nos tratavam como pedaços de carne. Sim, temos mania de falar que os homens são todos iguais, mas não conseguimos fazer a diferença na vida de nenhum deles. Com essa afirmação não estou demostrando ser uma mulher machista, ao contrário, sou feminista, marxista, mas nunca serei extremista  e sim, acho que no mundo falta muito carinho, amor e demostrações de afeto. Afinal de contas, se só dermos valor ao coito, a uma boa pegada, o que vai nos separar dos demais animais?
Sim, por mais que tentemos negar nossa natureza animal, ela tem crescido cada vez mais dentro de nós, não só de mulheres, como dos homens também, sinto-me, por vezes, vivendo dentro do Admirável Mundo Novo, onde fazemos sexo apenas por prazer e somos viciados em soma, fazendo com que o mundo seja sempre movimentado, produtivo, mas vazio de sentimentos.
Temos que reaprender a sentir, reinventar e dar novo sentido as nossas relações que podem ser abertas, fechadas, ter a denominação que quisermos, contanto que não nos esqueçamos que demonstrar sentimentos não é fraqueza, antes é a lembrança do quão humanos somos e de como precisamos do outro para evoluir em nossa vida.
Dificil encontrar uma pessoa que nunca tenha vivido uma dura experiência no campo dos sentimentos que acaba deixando a pessoa com medo de novas relações, contudo, viver sobre a ótica do medo é não aceitar uma grande verdade proclamada pelo grande filósofo Satre: Nós somos condenados a ser livres. Portanto temos a liberdade para fazermos o que bem entender, contudo, quando as coisas derem errado não  é correto culpar o outro por isso, uma vez que em toda relação que não dá certo não existe um unico culpado, existe um conjunto de fatores que nos levam ao fim. Escolher passar por isso também é uma escolha individual, e permanecer com medo também.
Por isso digo, ainda sonho com o dia em que nós mulheres e homens saberemos usar a liberdade que temos dando espaço aos sentimentos para que não nos tornemos por um todo animais, que não sentem, apenas copulam por instinto.
Pensem nisso antes de começarem uma guerra entre os sexos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Toda Criança é Especial


LINK FILME INTEIRO LEGENDADO: Taare Zameen Par - Toda Criança é Especial

A minha amiga e educadora Sarah Helena

O termo criança especial, atualmente utilizado como referencia a portadores de deficiência física e mental, pode ser utilizado de maneira mais ampla se levarmos em consideração que todas as crianças são, de fato, especiais, afinal todo o individuo é dotado de certas características que os fazem ser todos diferentes no seu modo de ver ser, aprender e conviver com as pessoas. Por que então dentro da escola, tratamos nossas crianças de modo homogêneo, sendo que todas são diferentes umas das outras?
Ao assistir indiano intitulado, Toda Criança é Especial, recomendado por amigos educadores no Facebook, decidi fazer esse post  e falar um pouco sobre as minhas impressões sobre o filme, que julgo ser um filme tão expressivo que deveria ser assistido por todos os que trabalham com educação.
O Filme conta a história do garoto Ishan, que rotulado por suas professoras como indisciplinado e incapaz de obter qualquer avanço significativo no seu aprendizado, se vê envolvido em meio a um dilema familiar, onde sua família tenta fazer o "melhor" para que ele não seja considerado uma criança deficiente. Para piorar a vida do garoto, ele é o tempo inteiro comparado ao seu irmão, que bem sucedido nos estudos, possui o perfil de campeão que todos os pais almejam a seus filhos.
Aqui cabe fazer a primeira reflexão sobre o filme, o que os pais esperam para o futuro de seus filhos? Dificilmente uma família quando cria uma criança gostaria de imaginar um futuro de dificuldades, em geral, o ideal de filho seria o do filho perfeito, aquele que só trás orgulho e honra para casa. Logo, se a criança apresenta algumas dificuldades as famílias entram em conflito compostos de etapas semelhantes a descoberta de uma deficiência grave: Negação, luto e aceitação.
No caso do garoto do filme, a diretora da escola, diante do péssimo desempenho escolar do menino sugere que ele possa sofrer de alguma deficiência mental grave, os pais do garoto, com sentimento de ofensa, resolve matricular o garoto num colégio interno, pois acham que tudo o que o garoto precisa é de disciplina mais rigorosa. Infelizmente a medida acaba prejudicando mais do que ajudando o garoto que, na verdade sofre de dislexia, diagnosticada por um professor substituto de artes que se interessa em saber porque um de seus alunos é tão quieto.
A dislexia que pode ser encarada como uma doença mental não é nada alem, como relatado no blog citado, é um jeito diferente de se aprender, que reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes brilhante, até mesmo genial, mas que aprende de maneira diferente.
Nossos rostos diferentes e únicos já poderiam servir de pista a um simples verdade: nós, seres humanos, não aprendemos todos da mesma forma, e mesmo as pessoas consideradas muito inteligentes não conseguem ser boas em todas as áreas do conhecimento, porque julgar então que uma mesma maneira de conta de educar todas as crianças dentro da escola? 
Existe uma teoria chamada de Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner que, resumidamente, nos sugere que cada pessoa possui habilidades voltadas para campos específicos do conhecimento, campo esse que deve merecer maior atenção no desenvolvimento das habilidades da pessoa. No caso do garotoa Ishan, ele possuía inteligência acima da média, e seu campo de maior concentração era o das artes, pois conseguia se expressar perfeitamente através de suas pinturas que eram ricas em detalhes. 
Essa é uma das primeiras teorias que deveriam ser ensinadas nos cursos de formação docente por mostrar uma abordagem diferente sobre o significado que seria inteligencia, contudo, na maioria das vezes ele é apenas citado e cabe aos alunos, caso lhes interesse, pesquisar mais profundamente sobre a teoria. Creio que por isso, e pelas facilidades de se homogenizar as pessoas, é que ainda continuamos tratando nossos alunos como se eles fossem todos iguais, como se nenhuma criança fosse tão especial.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ensino Superior?


Porque depois de democratizar o acesso ao ensino fundamental, a próxima meta para fazer o Brasil crescer é a democratização do Ensino Superior...
Manchetes de alguns jornais anunciam a demissão em massa de professores mestres e doutores das faculdades que foram compradas pela  Anhanguera Educacional Participações S/A no final deste ano...

Qual a ligação entre essas duas afirmações? Ironicamente, na ultima segunda-feira (19/12) enquanto os jornais anunciavam a demissão em massa dos professores, a presidenta Dilma falava no Programa Café com a Presidenta sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras  que visa fornecer bolsas de estudos para os estudantes que conseguirem boas notas na prova do ENEM, com isso o programa procura preparar melhor os profissionais para algumas áreas especificas, onde o nosso país sofre de carência de profissionais, além de universalizar o ensino superior independente da classe a que os estudantes pertencem,
Realmente, estudar no exterior vai ser uma ótima experiência para muitos estudantes contemplados pelas bolsas, mas qual será o futuro dos estudantes que continuarem seus estudos no nosso país? Se levarmos em conta que o exemplo das recentes demissões realizadas nas instituições do Grupo Anhanguera, podemos afirmar que o futuro da ensino superior não será nada animador, uma vez que mestres e doutores foram mandados embora para dar lugar a graduados e especialistas que acabam sendo mais lucrativos para a empresa. 
Infelizmente o ensino superior atualmente esta ligado ao termo empregabilidade, não se estuda para a formação intelectual, toda a formação é técnica e voltada para o mercado de trabalho que pede cada vez mais agilidade na formação, as pessoas já não podem se preparar bem,elas devem apenas acumular diplomas. E mesmo diante de denuncias como a mudança nas grades curriculares a falta de qualidade e preparo dos professores que trabalham nas instituições de ensino pertencentes ao grupo Anhanguera, o numero de alunos nelas não para de crescer, unica e simplesmente porque possuem um preço demasiadamente mais barato se comparado a instituições particulares mais renomadas. Porque o que conta não é a qualidade do ensino, antes é sua praticidade e rapidez.
Outro fator importante a se apontar e a crise educacional na qual o Grande ABC irá mergulhar, uma vez que a maior parte de suas instituições agora pertencem ao Grupo Anhanguera. Logo cabe a reflexão: será que essa região esta fadada a viver a homogeneidade do pensamento? Seria essa a recompensa pelo papel histórico fundamental que a mesma exerceu para o crescimento da cidade de São Paulo? Cabe a nós moradores e intelectuais da região ficarmos atentos a mudanças que ainda estão por vir.
O programa Ciência sem Fronteiras pode sim, em alguns aspectos, ser uma boa solução para a democratização do ensino superior, contudo, aos que aqui ficarem cabe a coragem de acreditar que num futuro distante, a educação neste nível possa se tornar de fato superior e não continuar sendo inferior se comparada aos demais países.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Educação Estatística


Não foi pequeno o numero de pessoas que ficaram chocadas diante da noticia de que um menino de apenas 10 anos atirou em sua professora e, em seguida, se matou, na Escola Municipal de Ensino Alcina Dantas Feijão, na cidade de São Caetano do Sul, no ultimo dia 22 de setembro de 2011.
Todos se perguntam o que se passou na cabeça de uma criança tão nova para cometer tal ato de violência. Seria a falta de amor? A falta de Segurança? A falta de profissionalismo da professora? Ou o grito de socorro desesperado de quem quer atenção?
Creio que mais do que tentar responder essas perguntas, cabe a todos nós fazer a seguinte reflexão: para onde nossa educação estatística vai nos levar?
Atualmente, quando se fala em desenvolvimento educacional a primeira coisa que nos é apresentada são dados estatísticos, vide exemplo do vídeo de propaganda Educação: Uma Agenda Urgente. Lançado nas mídias sociais após o Congresso Internacional: Educação, uma agenda urgente, realizado entre os dias 13 e 16 de setembro.
Creio que as ideias e discussões levantadas neste congresso são realmente relevantes para o crescimento econômico do nosso país, mas algo que não fica claro a todos nós quando falamos de desenvolvimento educacional é a seguinte questão: Que tipo de pessoas queremos formar nas escolas? Essa é uma pergunta que, desde, 1930, com o começo do pensamento da escola aberta para o povo, não conseguimos responder. Temos apenas a consciência de que a educação é importante, mas qual é sua finalidade e função social?
Um termo muito utilizado atualmente é o da educação para a empregabilidade, educação que visa apenas preparar o homem para o mercado de trabalho, fazendo com que ele adquira competência para se adaptar as necessidades do mercado de trabalho.
Partindo desse principio, nosso trabalho nas escola fica vazio do sentindo humano da educação, professores trabalham preocupados com as notas que suas escolas vão receber no Ideb , preocupam-se em atingir metas que, uma vez atingidas, acabam por não significar nada para os alunos que participam do processo educacional.
Toda essa história me remete as minhas leituras e estudos sobre a Violência Simbólica, de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, conceito que nunca foi muito bem aceito pelos professores por sua veracidade, pois segundo os autores, a classe dominante impõem sua cultura aos dominadas, e não existe lugar na vida social mais apropriado para essa imposição do que a escola que exerce papel fundamental na legitimação da violência simbólica.
Esse acontecimento também me remete a tantos encontros de educação dos quais eu já participei e de como, em meio a discussões acadêmicas já desejei encontrar representantes do povo que tivessem a coragem de se levantar e dizer: Desculpe, mas as coisas não acontecem desse jeito...
Contudo, com nossas escolas criadas para o mal e não para o bem, tudo o que podemos observar, e a mídia se fartando com a noticia de um aluno que, em seu último grito de desespero, preferiu se matar a viver nessa realidade paralela onde todos defendem a escola, mas ninguém suporta viver dentro dela.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Foco da Educação

Fonte:locadorasdemaquina.com.br

Será que ser cidadão é apenas preparar-se para fazer parte do mundo do trabalho? Dentro desta perspectiva, qual é o papel da educação?
Em seu segundo artigo, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) é bem clara quando diz que a educação visa preparar as pessoas para o exercício de sua cidadania e para a iserção no mercado de trabalho. Se a LDB reconhece que existe uma diferença entre cidadania e trabalho, porque será que a grande maioria das pessoas ainda acha que ser cidadão é sinônimo de trabalho?
Nas ultimas eleições, quando se falava em educação, na maior parte das vezes, estava ligada ao ensino profissionalizante. Não tenho nada contra o tema, contudo, para se chegar a profissionalização, primeiro devemos passar por um longo período de estudos. O que dizer do ensino básico e médio?
Esses questionamentos todos me tomaram depois que li uma matéria do Estadão sobre o PNE(Plano Nacional de Educação) que ainda não chegou a ser analisada pelo Ministro da Educação Fernando Haddad e pela presidenta Dilma Rousseff. A matéria faz referência a preocupação presidencial com o programa Pronatec que incentiva o acesso ao ensino tecnico e ao mercado de trabalho.
Como acadêmica me interesso e muito por um programa que, além do ensino técnico, viabiliza a aquisição de bolsas de estudos em graus mais elevados. Contudo, a questão que levantei a pouco ainda continua me intrigando: como falar em educação tecnica e ensino superior, sendo que apenas um por cento das pessoas conseguem ter acesso ao ensino superior e uma porcentagem ainda muito pequena pensa em profissionalizar-se em alguma área do conhecimento, mesmo como tecnico.
Como educadora espero encontrar, ainda ao longo desse mês nos jornais, noticias sobre a aprovação e aplicação do novo PNE com metas mais claras e menos utópicas que possam nos dar subsidios para uma real transformação educacional no nosso país, que comece na educação infantil de qualidade e alcance os graus mais elevados de ensino no nosso país.

Espero que o termo "Mão de Obra" na foto acima seja substituido pela palavra "Educação" e que "obras" signifique VIDA.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Culta ou Popular: Qual é a sua máscara?

Fonte:pordetrasdoveu.blogspot.com

Como educadora sinto que demorei para falar sobre esse assunto, mas isso porque como pesquisadora, primeiro fui atrás da obra para poder ler e fazer uma interpretação que não estivesse influenciada por esse ou aquele artigo, comentário ou reportagem.
Ao ler o tão comentado capítulo do livro “Por uma vida melhor”, da professora Heloisa Ramos, que tenta ensinar como se deve utilizar a norma popular e a culta no nosso cotidiano percebi o quanto a maioria das opiniões sobre o assunto estavam equivocadas, pois o que encontramos no livro não é uma apologia ao falar ou ao escrever errôneo, mas sim uma explicação muito precisa do porque devemos utilizar a norma culta na maioria das situações sociais. Isso fica bem claro quando a autora diz que a lingua é um instrumento de poder muito bem utilizado pela classe dominante e por isso deve ser utilizado por nós (os alunos, em questão), para que não soframos com o chamado preconceito linguistico.
Creio que ai esta o ponto que fez com que esse capítulo do livro fosse tão severamente criticado pela mídia em geral, afinal, apesar de não sofrermos mais com nenhuma censura, ainda sofremos com o moralismo aprendido com a mesma durante um longo período. Se antigamente as mídias tentavam nos informar mesmo sobre grande repressão, hoje ela apenas deforma nossa opinião por ter perdido quase todo seu aspecto crítico e ter virado quase apenas entretenimento.

Na ultima semana, no dia 27/05, participei de uma mesa que discutia as manifestações populares como resistência da cultura popular, no Congresso de História do ABC, na cidade de Diadema, São Paulo. O intuito era que cada participante da mesa falasse um pouco sobre sua experiência com o movimento de cultura popular que representavam, quando chegou a vez de um senhor que falou sobre a chamada Congada, pude notar que uma parte do auditório fazia comentários irônicos, pois o senhor em questão não era nenhum acadêmico e antes de iniciar sua fala foi se desculpando por não saber "falar bonito". Acompanhei as falas de todos até o fim, e todos aqueles que demonstravam dificuldades em se comunicar utilizando a linguagem culta eram alvo de comentários e sorrisos de deboche.
Mais por que raios estou falando sobre isso?
Simples, só estou tentando mostrar o quanto estamos acostumados a pensar que apenas o conhecimento dito culto é conferido como verdadeiro conhecimento e como ignoramos tudo o que possa ser considerado popular. O pior nisso é que todas as pessoas que por alguma razão não se apropriaram corretamente da linguagem culta sentem-se culpadas por não saberem "falar bonito", e por mais que façam trabalhos magníficos de incentivo a cultura são taxadas como incapazes.
Discussões como as iniciadas no capítulo tão difamado do livro tem como intuito o desejo de mostrar a tantos excluídos da sociedade que o conhecimento que eles possuem tem valor e somados aos conhecimentos das normas cultas pode aumentar e fazer com que a história de muitas vidas possa tomar um rumo diferente daquele determinado pela classe social em que nasceram.

Como educadora desejo que a educação nunca saia da pauta das discussões nas mídias para que ela possa se aprimorar e avançar cada vez mais. Contudo, como pesquisadora, espero que toda e qualquer pessoa que venha a publicar alguma opinião sobre a educação faça, antes, um dos exercícios mais lógicos e bonitos aprendidos na área da comunicação: ANALISE AS FONTES. sem esquecer de dar uma olhada no seu viés.

sábado, 21 de maio de 2011

Educação em Luto


Como em todos os dias, hoje levantei ás 6h00 da manhã e me arrumei para levar o meu filho até a escola e enquanto vestia meu pequeno fiquei pensando nas mães das vitímas de Realengo que nunca mais vão se irritar com as crianças que nunca querem acordar, nunca mais caminharam até a porta da escola com seus filhos, ou até mesmo, nunca mais tomaram juntos o café da manhã apressado de quem se despede do filho enquanto eles entram na perua escolar.
Desde a decáda de 30, a imagem que a educação tenta nos vender é a de que sem educação não há futuro, pois somente atráves dela podemos mudar o rumo de nossas vidas. Mas, afinal, que educação estamos dando as nossas crianças e jovens que faz com que um caso tão barbáro ocorra em um país que até então nunca tinha vivenciado episódio tão tenebroso?
O jovem que cometeu tal ato insano sempre foi visto como um excelente aluno dentro da escola, talvez seja esse o primeiro erro do sistema, que ao se deparar com o dito "bom aluno" nunca presta atenção em suas reais necessidades, isso porque na educação ainda se acredita que o importante é desenvolver o lado cognitivo (saberes) deixando de lado tudo que possa parecer mais humano que o bom desempenho escolar.
Além disso as vítimas, em sua maioria, foram meninas, fato que não pode ser visto como casual e sim como premeditação, fazendo com que esse crime se transforma-se não apenas em uma fatalidade, antes acabou virando mais um crime contra a mulher, essa que lutou tanto para ter acesso a educação ao longo da história. Esse é o retrato de uma sociedade patriarcal e machista que faz com que meninas se transformem em mulheres cada dia mais cedo, que ensina as mesmas a criarem seus filhos homens dentro da lógica patriarcal e que marca a mulher com o eterno estigma do desejo pelo corpo feminino.
Sou solidária as lágrimas derramadas pela nossa presidenta Dilma Rousseff, que diante da fatalidade, em seu pronunciamente pediu por um minuto de silêncio e neste minuto deixou que as lágrimas tomassem conta de seus olhos. Isso ocorreu não somente pela sensibilidade feminina, mas antes porque ela, como um símbolo de vitória e conquista feminina, conseguiu ver o quão longe estamos de realmente nos livrar dessa herança patriarcal que faz com que a mulher se transforme em "coisa" não em um ser dotado de capacidade e inteligência para além da adiministração do lar e trato dos filhos. Sem querer levantar bandeiras partidárias, pois antes da figura me remeto a mulher que todos esquecem que existe para além da figura da autoridade de Dilma.
Não bastasse todos esses aspectos do crime, em meio as redes sociais o que mais houve foram afirmações preconceituosas vindas de pessoas que afirmavam que fatores religiosos influenciaram no atentado, alguns até cogitaram a hipótese do jovem ser adepto da religião muçulmana por causa das afirmações de alguns detalhes de sua carta suicida. Mas uma vez uma fatalidade foi utilizada para desencadear o preconceito velado de tantos, pois como poderia essa afirmação ser verdadeira quando a carta leva os nomes de Deus e Jesus? As pessoas tendem a aproveitar situações de crise para declarar seus preconceitos sem precedente.
A idéia do jovem certamente foi importada e inspirada no caso de COLUMBINE, contudo não é saudável globalizarmos também as paranóias e medos estrangeiros, afinal, nossa realidade é diferente e precisa ser analisada pela ótica da análise da sociedade brasileira e não do preconceito estrangeiro.
Outra afirmação que me deixou um tanto conturbada foi a de como o rapaz não tinha amigos e passava o tempo inteiro recluso em frente ao computador. Não podemos culpar a tecnologia e os meios de comunicação pela criação de tipicos sociopatas, antes temos que analisar o porque estamos deixando uma invenção que foi criada para ajudar o homem transformar as pessoas em máquinas que possuem duas vidas, uma no mundo real e outra nesse universo paralelo onde podemos, se desejarmos, nos transformar até mesmo em Deuses que ficam fatalmente marcados e chocados quando são atirados para viver em meio ao mundo real.
Crimes como o que ocorreu em Realengo me fazem sofrer como educadora, mãe e mulher que sou. Me fazem temer ao pensar no mundo que estamos criando para os nossos filhos e para as próximas gerações.
Para terminar esse texto deixo aqui um trecho do livro Educação e Emancipação, que relata um entrevista de um dos Filósofos da Escola de Frankfurt Theodor W. Adorno, que fala sobre a Educação após Auschwitz (campo de concentração Alemão). Como alemão e judeu fa uma reflexão sobre o que temos que fazer para evitar tal atrocidade, e mesmo para aqueles que não pertencem a área da educação cabe compartilhar tal reflexão que tem um forte apelo a todo e qualquer ser humano:

"...se as pessoas não fossem profundamente indiferentes em relação ao que acontece com todas as outras, excetuando o punhado com que mantêm vínculos estreitos e possivelmente por intermédio de alguns interesses concretos, então Auschwitzs não teria sido possível, as pessoas não o teriam aceito''. (ADORNO,p.134)

Em outras palavras, não é hora de apenas lamentar pelo o que aconteceu, antes é hora de lutarmos para que esse tipo de evento não aconteça nunca mais em nosso país.

Cega, Demasiadamente Cega

(Fonte: www.acessa.com)


Sempre que pensamos no futuro, seja no meio politico ou em caracter pessoal, a primeira preocupação que nos vem a cabeça é a luta por uma educação de qualidade para nossas crianças que faça nossos filhos crescerem sábios e nação avançar rumo um explendido desenvolvimento. A educação é tão importante que é um das unicas áreas de estudo que aceita a intervenção e opinião de tantas outras áreas, afinal, a educação é para todos, democrática e por isso deve ser discutida por todos os envolvidos no processo.
Dentro desses debates sobre a educação, sempre costumam dizer que a educação esta falida, pauta que eu, como Pedagoga, não costumo levantar como bandeira. Contudo, com base nas ultimas noticias sobre atos homofóbicos publicados na midia, tenho que concordar que a educação realmente esta falida, mas ao contrário do que possam imaginar esse fato não esta acontecendo dentro das escolas publicas, como também em várias instituições renomadas que são responsáveis por formar os filhos da elite do nosso país.
Como levar a sério uma mãe que tenta explicar a grotesca atitude de seu filho "menor de idade" que agrediu três pessoas friamente, justificando que foi apenas uma atitude infantil tomada pelo filho? Como se apenas a visita a um especialista ou um bom castigo, diminuissem a gravidade do ato. Ainda tentando mostrar como seu filho era um bom rapaz, ainda nos declara que ele sempre tirou boas notas. Por fim, o que são notas boas diante de atitudes baixas como essa? Parece que a formação nas escolas dos grandes bairros esta tão voltada para as "boas notas" que esqueceram de ensinar valores indispensáveis a uma vida em sociedade.
Como se não bastasse esse incidente, na ultima quinta (11/11) postaram no blog da folha o Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia, onde a Universidade Mackenzie utilizando várias citações biblicas e argumentos retirados da nossa constituição, mostrava sua posição contraria a aprovação da lei que torna crime posturas homofóbicas, alegando que eles possuem o direito de instruir seus alunos a não praticarem o homossexualismo. Argumento fraco, uma fez que homossexualismo não é nenhuma doutrina que possa ser pratica e sim uma opção sexual adotada por algumas pessoas.
Uma instituição respeitada, que vende camisetas, mochilas, entre outros objetos com a marca "Mackenzie Solidário" não consegue ser laica a ponto de respeitar as opções adotadas por algumas pessoas para sua vida.
Diante dessas noticias, me afasto da minha literatura e olho para o mundo com os olhos de quem ainda quer enxergar um belo futuro para a educação do meu país, mas tudo que sinto é que como a justiça a educação esta cega, pois não quer ver o quanto de contéudo estão ensinado e o quanto de valores estão deixando de pregar. Sinto como se as grandes instituições que sempre foram tão adimiradas por muitos jovens de classe média formacem pessoas demasiadamente cegas para tudo o que possa lhes parecer diferente e terrivelmente oposto.
Uma pequena pausa, sinto como se minhas mãos se aproximassem do mastro da bandeira da desmotivação, contudo, espero me manter confiante a ponto de esperar por melhores noticias nos dias que viram.