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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O Aparelho Repressor e o Aparelho Ideológico de Estado

            Fonte de imagem: Questões de Concurso
 
OBS: Partes desses escritos compõem o primeiro capitulo da minha dissertação de mestrado, com direitos autorais reservados a  BRITO, Leticia dos Santos. O trabalho integral pode ser consultado na Biblioteca de teses e dissertação da Universidade Metodista de São Paulo

Quando o povo foi chamado para dar auxilio a burguesia para a efetivação da Revolução Francesa, não imaginava que os ideais tão proclamados de Liberdade, Igualdade e Fraternidade seriam tão distorcidos em sua efetivação. Subindo ao poder, tudo o que a burguesia ofereceu ao povo foi apenas a liberdade de compra e venda; a lógica agora, era a do capital. Para as massas que se transformaram em proletariado, o sonho de igualdade e fraternidade fora suprimido quando transformaram o trabalho em mercadoria.

Esta divisão do trabalho, que implica todas estas contradições e repousa por sua vez sobre a divisão natural do trabalho na família e sobre a divisão da sociedade em famílias isoladas e opostas, implica simultaneamente a repartição do trabalho e dos seus produtos, distribuição desigual tanto em qualidade como em quantidade; dá, portanto origem à propriedades cuja primeira forma, o seu germe, reside na família, onde a mulher e as crianças são escravas do homem. A escravatura, decerto ainda muito rudimentar e latente na família, é a primeira propriedade, que aqui já corresponde alias à disposição da força de trabalho de outrem. De resto, divisão do trabalho e propriedade privada são expressões idênticas – na primeira, enuncia-se relativamente à atividade o que na segunda se enuncia relativamente ao produto desta atividade. (ENGELS, MARX, 1933)

A lógica da repartição do trabalho e da propriedade entre diferentes setores sociais aumentava a distancia entre os homens, a exploração do homem pelo homem era aceita como uma necessidade para o desenvolvimento social. Fato que se agravou após a Revolução Industrial, que acabou enraizando a necessidade de transformar o trabalhador em mão-de-obra. Era a lógica da mais valia segundo a qual o homem vendia sua força de trabalho em troca de salário para adquirir bens de consumo.
Os aparelhos de estado funcionavam todos pela força repressiva. Os aparelhos de estado de Marx podiam ser divididos nas seguintes esferas: O governo, a administração, o exército, a policia, os tribunais, as prisões, entre outros. Os aparelhos de estado funcionando seguindo sempre a lógica do capital.
Contudo, levando em consideração todas as transformações do capitalismo durante a história, talvez a teoria sobre AIES (Aparelhos Ideológicos de Estado) que mais se aproxime de explicar a realidade atual seja a teoria apresentada por Louis Althusser (2007), famoso intelectual que seguia os princípios marxistas para a análise do estado e tentou completar o estudo sobre os aparelhos de estado apresentando a teoria dos aparelhos ideológicos de estado, que supunha que através da ideologia disseminada conseguia-se manter a ordem social vigente mesmo em tempos de crise.
Mas em que ponto os AIES diferem do aparelho repressivo de estado?

Num primeiro momento podemos observar que, se existe um Aparelho (repressivo) de Estado existe uma pluralidade de Aparelhos ideológicos de Estado. Supondo que ela exista, a unidade que constitui esta pluralidade de AIE num corpo único não é imediatamente visível. Num segundo momento, podemos constatar que enquanto o aparelho (repressivo) de Estado, unificado, pertence inteiramente ao domínio publico, a maioria dos Aparelhos ideológicos de Estado (na sua dispersão aparente) releva pelo contrário do domínio privado. (ALTHUSSER, 2007:45)

Os aparelhos ideológicos de estado diferem do aparelho repressivo de estado uma vez que não se ligam somente ao setor publico como também tem ligação direta com o setor privado que mesmo não sendo publico está repleto da ideologia social vigente; logo, reforçam a ideologia do Estado.
Para Althusser existem em toda sociedade os seguintes aparelhos ideológicos de estado: O AIE religioso (representado pelo sistema das diferentes igrejas); o AIE escolar (representado pelo sistema das diferentes escolas publicas e particulares); o AIE familiar; o AIE jurídico; o AIE politico (representado pelo sistema politico de que fazem parte os diferentes partidos); o AIE sindical; o AIE da informação (imprensa, rádio, televisão, entre outros) e o AIE cultural.
Contudo, a minha pretensão não é fazer a análise de cada aparelho ideológico citado, antes a principal função desses escritos é dissertar sobre a função do aparelho ideológico escolar de estado e de como este tem exercido uma forte influência sobre o destino dos brasileiros que, ao longo dos tempos, veem na educação a única chance de ascensão de classe. Mas, até onde a ideologia presente nesse setor da vida social realmente favorece e em que ponto acaba culpando muitas pessoas por um fracasso que deveria ser cuidado pelo Estado para que não mais acontecesse?
Mas essa parte fica para o próximo texto, onde dissertarei sobre  a Escola Capitalista, apontando suas características principais e impactos na educação.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O Que Não Se Pode Mudar

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente, não aceites o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar".

Li alguns textos de Bertolt Brecht há muito tempo atrás, quando tinha exatamente 20 anos e procurava inspiração para escrever algo que pudesse ser grande o suficiente para ser inesquecível para mim, tanto que quando iniciei meu mestrado não tive duvida, o trecho acima seria a epigrafe do meu trabalho.
E porque esse trecho em especial? Ele porque ao ler esses escritos eu não me transportei há um passado onde eu não passava de uma criança, uma menina bonitinha e distraída que não se dava muito bem na escola. Era muito inquieta, tinha o sonho de ler todos os livros do mundo, mas em verdade não conseguia nem junta-las, fazer com que elas dessem as mãos para que pudessem formar palavras, ou seja, fui mais uma das tantas crianças moradoras de periferia que fracassou de alguma maneira na escola.
Posso dizer por conhecimento de caso como dói ser apontada como inferior, essa sempre é uma das horas em que você para e pensa: O que devo fazer agora? As escolhas sempre foram apenas duas, ou eu me entrego a um futuro já traçado, ou me transformo em uma pessoa subversiva, que enfrenta o status quo e diz para si mesmo com orgulho: - Quem escolhe o que vai acontecer sou eu.
Foi assim que escolhi por tema de estudo fazer a seguinte pergunta: Qual é o local da criança pobre dentro da escola publica? Seria essa escola realmente democrática?
Era com pesar que, a cada nova pesquisa sobre o perfil do aluno pobre eu me chocava, pois desde a época em que começaram a pensar a abrir a escola para todos as viram como um problema a ser solucionada, nunca com um potencial a ser alcançado se bem trabalhado. Ao longo da historia o que se vê com clareza é o preconceito sempre culpando o local de moradia, a má alimentação, a família, a situação financeira. Nunca culparam a si mesmos por terem apenas se apropriado de metodologias nunca de fato criando um real método educacional que desse conta de solucionar o problema do fracasso escolar das crianças pobres.
Mesmo diante de um panorama devastador, tudo o que eu queria provar era que nada é impossível de se mudar, e meus primeiros passos como pesquisadora foram apontar o problema e trazer a reflexão sobre como "de fato" podemos alterar esse panorama de preconceito e estigmatização, fazendo com que fiquemos próximos a criação de um jeito de se fazer educação com a cara do Brasil, não um Frankstein de metodologias francesas, americanas, portuguesas, pois creio que só assim conseguiríamos mudar a cara e a realidade das nossas crianças carentes junto a escola.
Com minhas pesquisas iniciais comecei a esboçar um pensar para além do que temos, pretendo futuramente, em estudos posteriores , mais avançados e elaborados começar a apontar soluções para esse problema, mas por hora vou postando por esse espaço trechos com meus temas de estudos, que compuseram os capítulos da minha dissertação de mestrado, tentando chamar pessoas para mostrar o quanto é possível mudar, pois derrota só existe para aqueles que acreditam que não podem mudar nada, para os sonhadores de espirito e exatos de ação, tudo pode ser alterado, até a realidade mais dolorida pode e deve ser mudada.
Convido a quem queira dar uma espiada nos meus pensamentos, deixando a seguinte reflexão: tudo pode e deve mudar, pois a essa habilidade damos o nome de evolução.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Conversas com Bourdie - Sobre como me tornei mestre

Há exatos dois anos atrás, no dia 02/04, recebia meu titulo de mestre em educação, aprovada com louvor e indicação para publicação e continuação dos estudos...
Ao ouvir a aprovação um flash de pensamentos seguindo uma longa jornada até ali, contudo apenas um pensamento em mente que nunca me abandonou, a fala do meu orientador em uma de nossas conversas que dizia:
- As vezes fico imaginando a cara do Bourdieu se estivesse aqui ao nosso lado, vendo uma mulher, negra, moradora de periferia falar com tanto propriedade sobre suas teorias. Acho que ele ficaria no minimo surpreso com isso.
Pois é, tive um percurso tão grande pra chegar até aqui que me orgulho do meu caminho. Mérito? Não, apenas a teimosia de quem faz dos obstáculos alavanca em direção a sonhos cada vez maiores.
Mesmo assim, hoje me pego lembrando dessa fala e me imagino em frente ao grande Bourdieu dizendo :
- Sabe aquela sua teoria do capital cultural? Temos que rever ela, pois já se tornou ultrapassada. Muito se fala hoje em dia de saber como poder e mesmo assim, as barreiras de classe permanecem dificultando o caminho mesmo daqueles que insistem em ir para além das expectativas de sua classe. Moro em um país que tem como uma das principais bandeiras de luta a educação de qualidade, mas no final das contas, paga mal seus professores que tem que, a todo o tempo, melhorar a qualidade da sua formação, sempre se atualizando, para enfrentar salas superlotas, mal estruturadas e alunos cada vez mais carentes, porque desde que o oficio professor foi renomeado de educador, as famílias se esqueceram de criar seus filhos, e a sociedade nos pressiona, tentando com que formemos mão de obra qualificada para o mercado de trabalho, mas no final das contas, ninguém se responsabiliza pela educação que vai ficando cada vez mais dificil para a maioria do povo que aprende a seguir normas e nunca pensar criticamente sobre nada.
A informação, meu caro Bourdieu é tão fragmentada e em quantidade tão absurda que todo mundo sabe um pouco de tudo, mas na verdade não se aprofundam em nada. Senso critico? Muitos criticos, mas sem senso algum,  A fragmentação do conhecimento que nos bombardeia nos rouba a paixão pelo saber complexo e cuidadoso de quem realmente busca sabedoria e não apenas representação.
E neste ponto é que questiono a sua teoria meu caro amigo, acumulo de capital cultural não tem sido visto como uma boa qualidade, pois não importa o quão bem formado você seja, se escolheu ser educador vai sofrer um tanto na construção de sua carreira, pois os centros de educação se tornaram empresas, professores se tornaram corretores em uma imensa bolsa de valores, onde um investimento errado pode significar demissão, Logo, professores que deveriam ser considerados os profissionais socialmente mais importantes são os mais desvalorizados dentre os profissionais com formação superior.

Por um minuto paro meu dialogo imaginário e começo a lembrar do meu status atual: Desempregada.
Deveria ter feito apenas uma pós...
Mas eu nunca vou me arrepender das escolhas que eu fiz, faria novamente quantas vezes fossem necessárias, pois ainda existem pessoas que buscam por conhecimento acima de títulos, Porque no fim posso não ser a profissional mais bem paga, contudo sempre serei o melhor que eu puder ser, buscando sempre por mais, afinal experientes não são os livros, mas sim a sabedoria de quem os escreve. 
A minha classe pode me trazer barreiras, mas minha vontade de crescimento sempre vai me levar para além, onde eu possa representar todos aqueles que fazem parte de quem eu sou e nunca tiveram a oportunidade de ir para além do que esperavam deles, por isso que digo, a estrada pode ser árdua, mas a luta é intensa e verdadeira demais para desanimar.
Você pode ter errado em alguns aspectos, meu caro amigo Bourdieu, mas sou muito mais do que um dia alguém pode imaginar que eu seria e isso que quero para todos aqueles a quem eu possa ensinar alguma coisa ao longo da minha vida profissional.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Meu Filho Estuda em Escola Publica

Foto: Acervo Próprio

Parece besteira ter que afirmar um fato tão comum como este de meu filho estudar em uma escola publica, contudo acho necessário reafirmar isso diante de uma das verdades em que mais acredito: Não se pode lutar por algo no qual não se acredita.
Como educadora sou defensora da escola publica para todas as crianças independente de sua classe social, cor ou crença. Toda criança tem o direito de ser educada com a garantia dos governos municipais, estaduais e federais.Logo, não vejo o porque não deixar com que o meu próprio filho viva a experiência de estudar em uma escola publica. Muitos professores pensam diferente, trabalham em escolas publicas e fazem questão de pagar pela educação de seus filhos, o que me deixa sempre muito incomodada, mas até ai isso é questão de escolha pessoal.  
Minha maior critica fica sempre aquela que diz respeito a luta pela qualidade de educação, se não confiamos essa educação aos nossos próprios filhos, o que faz pensar que a luta por melhorias na educação realmente vão acontecer?
Tenho uma história de vida dentro de escolas publicas, nunca paguei pela minha educação, sou defasada em vários aspectos na minha formação, e mesmo assim, aos 29 anos, já tinha alcançado um patamar de formação que apenas 1% dos brasileiros conseguem atingir na sua educação, nesta idade me tornei mestre em educação, concluindo uma etapa que para minha classe social, para o meu contexto histórico e familiar nunca poderia ser imaginada há algum tempo atrás.
Por isso digo, afirmo e repito, meu filho estuda em escola publica, minha filha também, quando chegar na idade certa, vai estudar. porque eu não posso levantar bandeiras a meio mastro, eu faço questão de mostrar a eles e a mm mesma que sim, a educação publica também proporciona um futuro bom para os cidadãos brasileiros.
Como pesquisadora o meu tema central de pesquisa sempre foi e sempre será a eterna busca pela resposta desta questão: Qual o lugar da criança pobre dentro da escola publica?
Se voltarmos no tempo, veremos que há algum tempo atrás a escola publica tinha uma qualidade excelente de ensino, tanto que muitos sonhavam em fazer parte dela almejando um futuro promissor, mas ao passo que a escola foi sendo aberta para todas as classes sociais, seu nivel foi caindo, ainda mais nas zonas periféricas, logo as escolas privadas ganharam maior espaço e conquistaram de vez o publico da classe alta, que não mais almejava uma educação publica, tão "publica assim".  Neste momento as lutas pela qualidade da educação não deveriam ter parado de ocorrer, mas o fato é que os envolvidos com a escola publica foram sendo, profissionalmente, desvalorizados, não tinham mais o prestigio de antes, o salário dos professores e a carreira docente foi perdendo seu prestigio até que chegamos aos dias atuais, onde profissionais da educação trabalham até em três períodos para garantir um salário mais digno para si, Enquanto os alunos desmotivados e perdidos pensam em utilizar o espaço escolar para muitas coisas, menos aprender.
Como profissional dessa área nunca desistirei de acreditar na educação publica e que as crianças pobres devem sim aproveitar esse espaço para aquisição de capital cultural que vai lhes ajudar a crescer como pessoas e profissionais no futuro. Gostaria de ter uma escola onde a criança pobre possa se reconhecer como individuo, não como estatistica de fracasso esperado, sonho com uma escola menos empresarial e mais humana, bem como espero que um dia o professorado consiga se reconhecer como classe e lute por seus direitos sem boicotar a si mesmos na hora das lutas por melhorias em sua carreira e em seu prestigio profissional.
E é por tudo isso, que penso e afirmo: Meu filho estuda em escola publica, pois o direito a educação é uma conquista adquirida com muita luta para ser vista como coisa tão banal. È por isso, também, que me fiz educadora, para mostrar aos demais que é possível sim chegar longe mesmo tendo em seu currículo escolas publicas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Intelectual


Outro dia, ao conversar com um amigo falando sobre meu pouco tempo para escrever devido aos congressos que tenho de participar este semestre ele brincou comigo me questionando:
- Afinal de contas, você faz o que, medicina?
Ri da piada do rapaz, mas por outro lado não deixei de me sentir um pouco incomodada com as meias verdades que essa brincadeira trouxe em si, afinal de contas, será que intelectuais só podem ser aqueles indivíduos que não estejam diretamente ligados a área educacional?
No imaginário popular, intelectuais, em geral, sempre foram os médicos, profissionais da área de direito e engenharia. Não nego que há muito tempo atrás, professores já foram considerados como sendo profissionais altamente qualificados e intelectualizados, contudo, isso ocorria numa época onde o que predominavam eram os preceptores e a educação era unica e exclusivamente para elite. Quando a escola começou a se abrir para o povo, seu status foi se degradando, as elites foram migrando para instituições particulares e a profissão de professor foi sendo gradualmente desvalorizada. Por isso, que um professor participar de tantos eventos científicos parece um tanto estranho.
Contudo não seria essa a saída para se obter uma educação e até mesmo valorização profissional, o professor se intelectualizar?
Atualmente, no meio acadêmico, muito se fala sobre o professor pesquisador, sobre programas de "reciclagem" nas redes, mas o grande problema é que o professor, em geral, não se vê como um intelectual e quando muito segue os manuais e apostilas que caem em suas mãos.
Dai ficamos vivendo em meio a esses dilemas de como ensinar crianças o gosto pela leitura se muitos professores não aguentam ler um livro inteiro? Como ensinar sobre matérias sobre as quais não temos domínio? Apesar da fala sobre o professor pesquisador agradar muito e não sair da boca de muitos docentes, a sua prática esta longe de ser verdadeira, pois no inicio de carreira até temos a noção de que teremos que estudar durante a vida inteira, contudo, com o passar do tempo e a influência dos colegas de trabalho, acabamos seguindo fórmulas, pré-elaboradas que tornam nossas aulas muito instrumentais e pouco reflexivas.

Como educadora, pesquisadora e intelectual, gosto de dividir o pouco que sei com os demais, não somente colegas de profissão como com os interessados pelo tema Educação, assim, faço dos meus conhecimentos acadêmicos algo mais útil do que simplesmente publicações restritas a acadêmia. Participo de muitos eventos? Sim, e faço isso com prazer, para conhecer novos temas, pessoas, dividir experiências e conceitos, mas não me tornar puramente conceitual. E nas horas vagas sempre me sobra tempo para estudos sobre politica, literatura, musica, história, poesia, porque, ao contrário do que muitos pensam, educação também é uma ciência e como tal exige profissionais capazes de ir além do que esperam deles. profissionais que saibam que sua função não é fazer as pessoas Aprenderem a Aprender, porque aprender é algo inerente a raça humana, antes nosso trabalho é fazer com que essa aprendizagem seja profunda, para que, futuramente, a educação alcance níveis elevados porque não apenas ensinamos, antes instigamos o pensar, exercício que deve ser praticado por toda nossa vida acadêmica e pessoal.

domingo, 24 de julho de 2011

LIVRO RESGATA ORIGEM MACABRA DOS CONTOS DE FADAS


Histórias Envenenadas - Contos de Fadas de Terror,

escrito por autores em início de carreira, será lançado em agosto

Conhecemos contos de fadas como histórias cheias de magia e fantasia que costumamos contar para crianças. O que muitos não sabem é que eles foram concebidos como entretenimento para adultos e que, em sua forma original, traziam fortes doses de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas. Com o tempo, diversos autores os suavizaram e acrescentaram lições de moral.

Em Histórias Envenenadas, escritores contemporâneos resgataram todo o horror dos contos de fadas originais em releituras de histórias tradicionais ou novos enredos, que não farão nenhuma criança dormir, mas certamente farão você perder o sono.

Os escritores Chico Anes e Ricardo Ragazzo, organizadores do livro, analisaram mais de cem contos para chegar nos trinta textos que compõem o livro, que será lançado no próximo dia 06 de agosto, quando a Andross Editora completará sete anos.

A casa editorial é especializada na publicação de coletâneas de novos escritores. Surgiu em 2004, dentro dos corredores da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, como uma necessidade de publicar textos dos alunos do curso de Letras. A experiência deu tão certo que logo atravessou os muros da instituição e passou a publicar textos de outros escritores que não acadêmicos da universidade. De lá para cá, publicou sessenta livros, com mais de mil autores de todos os estados brasileiros e de vários países de todos os continentes.

Além do Histórias Envenenadas - Contos de Fadas de Terror, outros quatro livros serão lançados no evento. São eles:

· Moedas para o Barqueiro - Contos sobre a Morte - Volume II

· Próxima Estação - Contos de trem, metrô e outros transportes urbanos.

· Universo Paulistano - Contos de uma cidade que nunca dorme - Vol. III

· Elas Escrevem - Contos e Crônicas - Volume II

No evento, o público poderá adquirir outros títulos da editora ao preço promocional de aniversário de R$ 4,90.

SERVIÇO

Lançamento do livro Histórias Envenenadas - Contos de Fadas de Terror e aniversário da Andross Editora (Entrada grátis)

Data: 06/08/2011, das 15h às 20h

Local: China Trade Center- Rua Pamplona, 518, São Paulo, SP (Próximo à estação Trianon Masp do metrô)

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:

Cesar Mancini

(11) 6731-6191

(11) 8217-6191

cesar@andross.com.br

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sobre Nossas Diferenças

Fonte: keywordpictures.com


Por um minuto, caro leitor, volte ao seu passado e me diga: Você hoje é o que sonhou ser ou é apenas o que os outros fizeram de você?

Na ultimo dia 26/05, assisti a uma palestra que falava sobre o direito a ser diferente, ofericida pelo Núcleo de Educação em Direitos Humanos da Universidade Metodista. Ao longo de sua fala, a palestrante nos fez várias provocações que sempre nos levavam a mesma reflexão: estamos preparados para trabalhar com as diferenças num meio onde ser o que esperam que você seja é a regra?

De todas as provocações a que mais me marcou foi justamente a relacionada com a pergunta com a qual iniciei essa postagem: Algum dia, na minha vida, alguém determinou o que eu seria?

Pois então, em resposta a essa pergunta posso claramente dizer: SIM.

Nasci mulher, pertencente a família simples, moradora da cidade de Diadema que faz parte do Grande ABC. Nunca estudei nas melhores escolas, mas sempre tentei ser a melhor aluna que podia ser, contudo não era o que podia se chamar de aluna exemplar, sempre pertenci aos alunos medianos que preocupavam-se apenas em terminar os estudos, pois era muito importante ter segundo grau completo para poder conseguir um bom emprego.

Unicas certezas,até então na minha vida: terminar a escola, trabalhar, casar e ter filhos... Esse era o destino que o meio onde eu vivia determinou havia traçado para eu seguir.

O que aconteceu de diferente? Simples, aprendi que existe sempre mais de um caminho a seguir na vida e através de uma mudança radical de pensamento e metas que ocorreram na minha vida contrariei as expectativas , fiz minhas próprias escolhas que nem sempre foram fáceis e acabei mudando o meu destino.


História particular a parte, fico aqui comigo pensando: Será que como educadores, treinados para trabalhar com padronizações,conseguimos mostrar aos nossos alunos com destinos já selados que eles podem ser mais do que aquilo que esperam que eles sejám?

Triste é ter a certeza de quem são raros os casos de pessoas que conseguem reformular os seus destinos, superando suas dificuldades financeiras,emocionais, sua falta de capital cultura fazendo com que suas vidas sejam diferentes de tudo o que a classe a qual pertencem determinou.

Não estamos preparados para lhe dar com a diferença, a nós, educadores instrumentais, o mais fácil é seguir as regras e pensar que na periferia ninguém se interessa por literatura, ou qualquer coisa que se remeta a cultura erudita. Mas o que seria a cultura erudita, senão a aceitação da cultural imposta como pura a todos nós por uma determinada classe social? Se conseguissemos trabalhar com as diferenças os termos cultura e cultura popular não existiriam, afinal, nós todos produzimos cultura, isso é o que nos separa dos demais animais.

Penso que falhamos sempre ao tentar falar das nossas diferenças, pois quando não nos fechamos em circulos minoritários, acabamos por ser estigmatizados no momento em que tentamos ultrapassar as barreiras de classes em busca da tão sonhada segunda opção.

Como educadora tento não me deixar vencer por essa cegueira, mesmo assim sei que como tal vou errar muito ao longo da minha carreira, pois tentar aceitar as diferenças exige a capacidade de superarmos nossos próprios preconceitos e isso é uma função que deve ser aprimorada ao longo da vida.


Para terminar, deixo aqui apenas um desejo registrado, espero que, mesmo que eu não consiga, um dia alguém consiga por mim aceitar que podemos ser mais do que aquilo que esperam de nós.

sábado, 21 de maio de 2011

Sobre o Orgulho

Acervo Próprio

Presa em meio a escrita de um projeto de pesquisa nem pude opinar sobre a lamentável estudante de direito que falou tão mau do povo nordestino após o nordeste eleger Dilma como a nossa próxima presidente.
Mesmo não podendo opinar, enquanto lia, fazia fichamentos e escrevia pensava no por que eu faço tudo isso?
Simples, minha vida não é só minha, me entrego ao trabalho assim como meu pai um dia se entregou fazendo seu melhor dentro de uma fábrica para garantir que seus filhos nunca vivessem as mesmas terríveis experiências dentro de uma mesma indústria metalurgica. Escrevo por minha mãe, que na quinta série abandonou os estudos porque uma professora gostava de lhe falar o quanto ela era incapaz. Mesmo assim, foi ela que sempre ensino seus filhos a acreditarem em si e nos seus sonhos, mas sempre com os pés no chão.
Estudo pela minha avó materna que se alfabetizou porque invadia as aulas que seu pai ministrava aos meninos filhos da elite, e também o faço por minha avó paterna que morreu sabendo apenas assinar o nome, mas que era dona de uma sabedoria magnifica, que só o povo que sofre e luta sabe ter na vida.
Quero avançar na vida pelo meu avô materno, que pagava pessoas para escrever cartas para minha avó demonstrando o seu amor e luta para lhe dar um futuro bom, também o faço pelo meu avô paterno, homem forte e sofrido que mesmo sabendo apenas poucas letras e operações simples soube criar seus filhos com valores que faltam a muitos ditos intelectuais.
Agora tento avançar também pelo meu filho, pedaço mais caro e bonito de mim, para que ele possa um dia sentir o mesmo orgulho e respeito que aprendi a ter por minha família nessa minha vida.

Acho que esqueci de mencionar, tirando minha mãe e meu filho, todos que fizeram com que eu me transforma-se no que sou hoje são nordestino, todos tão diferentes mais com algo em comum: a força de quem dá valor as pequenas coisas.
Em meu sangue levo uma herança de lutas , não um conjunto de bens materiais, afinal, viver do que eu não conquistei é fácil demais, tanto que até me sobra tempo para gastar com ofensas desnecessárias que não nos levam a nada, além de um minuto de fama e uma vida de exclusão.
Tenho orgulho de ser um pouco desse povo que não é uma raça, mas deve ser respeitada por toda sua força e por tudo que durante anos criou. Afinal, existiria um Paulista de sangue puro, sendo que na região sudeste não há cidade mais nordestina? E mesmo antes deles migrarem o que havia aqui eram tantos descendentes de europeus, na maior parte italianos, todos imigrantes com um pé em outro continente e outro nas fazendas e chãos de fábricas.
O ruim dessa história toda é ver que as pessoas continuam achando que não possuem uma história própria, e que se querem fazer parte da história, primeiro devem aparecer nas pesquisas do Google.



PS: Foto da Casa onde meu Pai nasceu e onde por longos anos, foi feliz com seus irmãos

O Que Eu Aprendo na Escola?

Acervo Próprio


-Mãe, é sério eu não presciso mais ir para escola.
- Por que, Nicholas.
- Porque eu já aprendi tudo o que tinha para aprender lá.
- Nick, a gente sempre tem alguma coisa nova para aprender, sabia?
- E o que eu aprendo na escola que você não pode me ensinar?
- ...

Essa conversa com o meu pequeno me fez lembrar das minha aulas no curso de Pedagogia, onde se falava o tempo inteiro em reencantar a educação. Era um belo discurso para as manhãs, mas me pergunto o que estão fazendo, de fato, fora do espaço acadêmico para cumprir com essa tarefa?
De longe querer criticar o sistema ou mesmo o trabalho desse ou daquele profissional, o problema é perceber que crianças tão novas não estão encontrando na educaçãoaquele ponto atrativo e gostoso que liga ela a vida cotidiana. E eu fico preocupada por uma criança de 4 anos achar que do jeito que as coisas vão na escola o melhor era ficar em casa. Ainda mais porque a educação infantil é extremamente importante para o desenvolvimento das crianças, pois pressupóem um trabalho e avaliação de maneira ampla, que leva em consideração todas as etapas do desenvolvimento, seja ele cognitivo ou não.
Infelizmente, por mais que meu pequeno pareça ser maduro, não posso sentar e explicar para ele que, por lei, sou obrigada a matricular e manter ele numa escola, pois caso o contrário eu posso ser punida por negligência até mesmo com prisão, isso só iria assustar a criança. Contudo, como educadora fico incomodada por não saber responder o que ele aprende na escola que não pode aprender em casa. Não poso deixar de pensar que a escola, ainda mais a infantil, deveria causar um impacto positivo nele e não fazer com que o meu pequeno para e reflita sobre o porque de passar algumas horas de sua pequena vida afastado da família num espaço que, aparentemente, não esta sendo tão atrativo para os seus pequenos olhos.
È preciso reencantar a educação? Certamente sim, mas que esse reencantamento aconteça fora dos livros e da acadêmia, que eles possam se tornar vida e tornar a vida de tantas crianças um tanto mais interessante e repleta de significados positivo.
Outubro/2010

Onde Estão os Quixotes?


Por esses dias recebi um email com o seguinte assunto: Professores (não deixem de ler). Nem preciso dizer que me interessei imediatamente, afinal, sou uma estudante de Pedagogia prestes a me formar e declaradamente apaixonada pela minha área.
A mensagem relatava a história de uma professora muito observadora que ao ler uma matéria super interessate na revista "Veja" sobre como os estudantes de origem japonesa estão conquistando os cargos mais importantes no mercado de trabalho e tudo isso devido ao seus incansáveis esforços em seus estudos que, segundo a matéria, tomam metade do tempo livre desses jovens e crianças. (interessante, não?)
Essa matéria foi tão significativa para a professora que ela resolveu observar se essses dados eram verdadeiros, como cobaia, utilizou a sobrinha da sua coordenadora pedagógica que havia voltado recentemente do Japão e visitava a escola onde a tia trabalhava. Quando a professora notou a cara de horror que a menina ficou quando observou as salas cheias, com alunos que falavam o tempo todo e não respeitavam a autoridade das professoras, ela se encantou definitivamente pelos alunos japoneses. Ao perguntar para a menina o que acontecia com as crianças que tinham esse comportamente no Japão recebeu a seguinte resposta: Ficam de castigo. E qual é castigo: Não sei, nunca ninguém ficou.
Depois de ler essa matéria e conversar com a menina a conclusão a qual a pessoa chegou foi que o grande problema da educação está nas crianças brasileiras que não são educadas para os estudos, pois seus pais as deixam nas mãos das pobres professoras que ficam responsáveis por toda a criação da criança e ainda ganham mal.
Sim, era mais um email que falava sobre os baixos salários dos professores e da desvalorização dos mesmo que são sempre tão ofendidos com os seus cursos de capacitação e reciclagem. Também não concordo com esses termos para os cursos oferecidos ao professorado, contudo, creio que isso não deveria ofender nenhum docente, afinal, quem escolheu essa profissão deveria ter a consciência de que estudaria para além da faculdade.
O ponto que mais me deixou indignada foi o da comparação entre estudantes brasileiros e japoneses, creio que essa discussão não deveria nem mesmo existir, afinal, são culturas diferentes, não dá pra dizer quem é certo ou errado, além disso, essa visão de que tudo o que nos é diferente é melhor não cai bem para uma pessoa que se dispõem a exercer a função de professor.
Creio que um dos principais problemas da pedagogia no Brasil é que nós nunca criamos uma pedagogia que pudesse ser chamda de pedagogia brasileira, nós sempre seguimos os exemplos de fora, sem levar em consideração o fato dos alunos brasileiros serem culturalmente diferentes dos alunos que podiamos encontrar nos países que nos importam pedagogias.
De fato, o que falta em nosso país são Quixotes, aqueles sonhadores que acreditam no sucesso das batalhas que parecem perdidas, aqueles que arriscam ir contra todas as expectativas e lutar por causas que merecem atenção e suor.
Não sou adepta de Paulo Freire, mais tenho que adimitir que um dia ele teve um sonho, ele lutou contra um grande moinho que transformou seu sistema em mobral. E mesmo agora, depois da sua morte e das suas releituras em meio a cursos de formação, consegue tocar alguns poucos Quixotes escondidos, pena que ao contrário do que ele gostaria parece não existir apoio aos que tentam supera-lo. Dai caimos mais uma vez na rede das comparações e tudo isso porque não conseguimos seguir em frente, apenas aproveitamos o que parece que dá certo em algumas situações.
Como futura educadora só posso questionar, me indignar e esperar que um dia a situação mude e possamos enxergar qualidades em nosso país e em nossos alunos.

Agosto/2009