O OBJETIVO DESTE BLOG É FALAR SOBRE A EDUCAÇÃO QUE ACONTECE NAS RUAS, NAS FAMÍLIAS,NA MÍDIA, NA SOCIEDADE E NAS ESCOLAS. AFINAL, EDUCAR NÃO É UM ATO ISOLADO, EDUCAR É UM ATO HUMANO QUE OCORRE DENTRO DE TODOS OS ESPAÇOS SOCIAIS.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Para Não Dizer que Eu Não Falei do Amanhã
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
O Aparelho Repressor e o Aparelho Ideológico de Estado
A lógica da repartição do trabalho e da propriedade entre diferentes setores sociais aumentava a distancia entre os homens, a exploração do homem pelo homem era aceita como uma necessidade para o desenvolvimento social. Fato que se agravou após a Revolução Industrial, que acabou enraizando a necessidade de transformar o trabalhador em mão-de-obra. Era a lógica da mais valia segundo a qual o homem vendia sua força de trabalho em troca de salário para adquirir bens de consumo.
Os aparelhos de estado funcionavam todos pela força repressiva. Os aparelhos de estado de Marx podiam ser divididos nas seguintes esferas: O governo, a administração, o exército, a policia, os tribunais, as prisões, entre outros. Os aparelhos de estado funcionando seguindo sempre a lógica do capital.
Contudo, levando em consideração todas as transformações do capitalismo durante a história, talvez a teoria sobre AIES (Aparelhos Ideológicos de Estado) que mais se aproxime de explicar a realidade atual seja a teoria apresentada por Louis Althusser (2007), famoso intelectual que seguia os princípios marxistas para a análise do estado e tentou completar o estudo sobre os aparelhos de estado apresentando a teoria dos aparelhos ideológicos de estado, que supunha que através da ideologia disseminada conseguia-se manter a ordem social vigente mesmo em tempos de crise.
Mas em que ponto os AIES diferem do aparelho repressivo de estado?
Num primeiro momento podemos observar que, se existe um Aparelho (repressivo) de Estado existe uma pluralidade de Aparelhos ideológicos de Estado. Supondo que ela exista, a unidade que constitui esta pluralidade de AIE num corpo único não é imediatamente visível. Num segundo momento, podemos constatar que enquanto o aparelho (repressivo) de Estado, unificado, pertence inteiramente ao domínio publico, a maioria dos Aparelhos ideológicos de Estado (na sua dispersão aparente) releva pelo contrário do domínio privado. (ALTHUSSER, 2007:45)
Os aparelhos ideológicos de estado diferem do aparelho repressivo de estado uma vez que não se ligam somente ao setor publico como também tem ligação direta com o setor privado que mesmo não sendo publico está repleto da ideologia social vigente; logo, reforçam a ideologia do Estado.
Para Althusser existem em toda sociedade os seguintes aparelhos ideológicos de estado: O AIE religioso (representado pelo sistema das diferentes igrejas); o AIE escolar (representado pelo sistema das diferentes escolas publicas e particulares); o AIE familiar; o AIE jurídico; o AIE politico (representado pelo sistema politico de que fazem parte os diferentes partidos); o AIE sindical; o AIE da informação (imprensa, rádio, televisão, entre outros) e o AIE cultural.
Contudo, a minha pretensão não é fazer a análise de cada aparelho ideológico citado, antes a principal função desses escritos é dissertar sobre a função do aparelho ideológico escolar de estado e de como este tem exercido uma forte influência sobre o destino dos brasileiros que, ao longo dos tempos, veem na educação a única chance de ascensão de classe. Mas, até onde a ideologia presente nesse setor da vida social realmente favorece e em que ponto acaba culpando muitas pessoas por um fracasso que deveria ser cuidado pelo Estado para que não mais acontecesse?
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
O Que Não Se Pode Mudar
E porque esse trecho em especial? Ele porque ao ler esses escritos eu não me transportei há um passado onde eu não passava de uma criança, uma menina bonitinha e distraída que não se dava muito bem na escola. Era muito inquieta, tinha o sonho de ler todos os livros do mundo, mas em verdade não conseguia nem junta-las, fazer com que elas dessem as mãos para que pudessem formar palavras, ou seja, fui mais uma das tantas crianças moradoras de periferia que fracassou de alguma maneira na escola.
Posso dizer por conhecimento de caso como dói ser apontada como inferior, essa sempre é uma das horas em que você para e pensa: O que devo fazer agora? As escolhas sempre foram apenas duas, ou eu me entrego a um futuro já traçado, ou me transformo em uma pessoa subversiva, que enfrenta o status quo e diz para si mesmo com orgulho: - Quem escolhe o que vai acontecer sou eu.
Foi assim que escolhi por tema de estudo fazer a seguinte pergunta: Qual é o local da criança pobre dentro da escola publica? Seria essa escola realmente democrática?
Era com pesar que, a cada nova pesquisa sobre o perfil do aluno pobre eu me chocava, pois desde a época em que começaram a pensar a abrir a escola para todos as viram como um problema a ser solucionada, nunca com um potencial a ser alcançado se bem trabalhado. Ao longo da historia o que se vê com clareza é o preconceito sempre culpando o local de moradia, a má alimentação, a família, a situação financeira. Nunca culparam a si mesmos por terem apenas se apropriado de metodologias nunca de fato criando um real método educacional que desse conta de solucionar o problema do fracasso escolar das crianças pobres.
Mesmo diante de um panorama devastador, tudo o que eu queria provar era que nada é impossível de se mudar, e meus primeiros passos como pesquisadora foram apontar o problema e trazer a reflexão sobre como "de fato" podemos alterar esse panorama de preconceito e estigmatização, fazendo com que fiquemos próximos a criação de um jeito de se fazer educação com a cara do Brasil, não um Frankstein de metodologias francesas, americanas, portuguesas, pois creio que só assim conseguiríamos mudar a cara e a realidade das nossas crianças carentes junto a escola.
Com minhas pesquisas iniciais comecei a esboçar um pensar para além do que temos, pretendo futuramente, em estudos posteriores , mais avançados e elaborados começar a apontar soluções para esse problema, mas por hora vou postando por esse espaço trechos com meus temas de estudos, que compuseram os capítulos da minha dissertação de mestrado, tentando chamar pessoas para mostrar o quanto é possível mudar, pois derrota só existe para aqueles que acreditam que não podem mudar nada, para os sonhadores de espirito e exatos de ação, tudo pode ser alterado, até a realidade mais dolorida pode e deve ser mudada.
Convido a quem queira dar uma espiada nos meus pensamentos, deixando a seguinte reflexão: tudo pode e deve mudar, pois a essa habilidade damos o nome de evolução.
sábado, 15 de agosto de 2015
O Dia do Mundo Sem Regras
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Somos os Gays de Ontem
Somente em uma conferência realizada na Dinamarca, ficou acertado que o dia 8 de Março seria internacionalmente comemorado em homenagem a essas trabalhadoras que morreram de maneira tão trágica. Contudo, apenas no ano de 1975 a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional das Mulheres.
Enquanto isso, aqui no Brasil, no dia 24 de Janeiro de 1932, as mulheres conquistaram o direito ao voto, bem como o direito a se candidatarem a cargos públicos. Mesmo diante dessa conquista feminina, apenas no ano de 2010 conseguimos eleger a primeira mulher presidente do país.
Não escondi minha euforia pessoal, quando soube que duas mulheres disputariam o cargo de presidenta esse ano: Luciana Genro e Dilma Roosevelt. Depois da fatalidade ocorrida com Eduardo Campos, ver Marina Silva e Dilma liderando a pesquisa de intenção de votos não deixou de ser um avanço para as conquistas femininas. Afinal, as mulheres sempre foram tão guerreiras que passaram todo esse tempo histórico lutando para serem vistas com igualdade que esses pequenos avanços merecem ser comemorados
Mas por que fazer esse histórico de conquistas femininas?
Simplesmente para ilustrar uma das poucas verdades nas quais eu acredito: os gays ocuparam o nosso lugar como uma subespécie incapaz de contribuir para o bem social e comum.
No último debate político exibido na rede Record, pudemos conhecer um pouco da intolerância e homofobia do candidato a presidente Levi Fidelix que através de suas palavras atacou de forma extremistas e agressiva a comunidade LGBT do nosso país. Não bastasse todo o seu ódio mostrou também seu desprezo pelas mulheres, uma vê que acredita que mulheres existem apenas para ter filhos perpetuado a nossa espécie.
Poderíamos deixar que essas considerações cretinas não nos afetasse, afinal, segundo as pesquisas, ele nem tem tantas intenções de votos, por outro lado, com seu espetáculo conseguido despertar o ódio que muitos brasileiros sentem, e por mais que tenhamos visto desde ontem a onda de protestos nas redes sociais contra suas palavras, nos comentários de reportagens e videos a respeito do ocorrido sempre achamos depoimentos daqueles que apóiam seu pensamento.
Num portal de noticias (Terra), nos cometários li muitas respostas em apoio ao "sensato" senhor de família, em um até faziam insinuações do despreparo de Luciana Genro e de como ela era utilizada como fantasia sexual de um comentarista em especifico. No momento em que li tais comentários me lembrei do recente jovem morto por ser gay e de como sempre tentam assustar os diferentes pelo medo. Essas pessoas agem com tal puritanismo diante da sexualidade alheia, que parece que nenhum deles cogita a possibilidade de fazer sexo apenas por prazer, agem como se vivessem dentro da comunidade utópica do romance de George Orwell, 1984, e se esse for o mundo dos justos e bons cidadãos, desculpe-me, mas dessa sociedade eu não quero fazer parte.
Sendo assim, queria reafirmar o que o título deste post diz, somos os gays de ontem, por isso consigo sentir empatia pela causa LGBT, por isso chorei quando o supremo votou a favor do casamento igualitário, por isso me emociono com as histórias que leio a respeito de casos violentos praticados por homofobia. Por isso espero que essa comunidade não precise passar pela vergonha de ganhar um dia todo seu que, no fundo, só vai lembrar a todos que pertencem a essa comunidade a pulsão de ódio que tantos sentem por eles.
A todos os membros da comunidade LGBT só posso desejar um passado de lutas , sim, porque lutar faz parte de ser humano, mas que as lutas possam leva-los a conquista de seus direitos em um tempo histórico bem menor que o feminino.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Sobre o Fazer Político
Mas, afinal, o que é fazer politica? Será que a politica se restringe a distribuir santinhos, odiar as pessoas que se opõem ao seu pensamento? Será que fazer politica é simplesmente votar em ano eleitoral?
Platão idealizou um ser capaz de fazer politica de forma coerente, o Rei-filósofo, poi ele "por serem os que mais próximos estão das idéias do Bem, do Belo e do Justo, tem condições de agirem como pastores da sociedade. Pois, lembrava ele, o governo da Razão deve sempre predominar sobre o instável Reino dos Sentimentos". Mesmo admitindo que para fazer politica precisamos de um representante, Platão reconhece que se politica for feita sem a preocupação com a educação e a justiça acaba sendo um fazer politico medíocre que não cumpre com seu propósito.
Quando, no ano passado, milhares de jovens saíram as ruas em manifestações apartidárias, a mensagem que queriam passar é de como os políticos que foram escolhidos por nós não nos representam. Infelizmente, agora próximo das eleições tudo o que vemos é uma dormência ideológica que faz esse povo escolher entre o candidato menos ruim.
Isso seria justo, isso seria educado? Não isso só mostra o quão politicamente deficientes somos quando o assunto é politica partidária, visto que, para muitos, só existe esse fazer politico.
Sobre fazer politico, quando um analfabeto entra no EJA para continuar seus estudos, ele esta fazendo politica, pois acredita que sua vida vai mudar com mais instrução. Quando um filho de operários chega a universidade e vai além, ele esta fazendo politica, os jovens que se reunem nos espaços culturais das cidades para aprender uma linguagem artística onde possam se expressar estão fazendo politica. Por isso, politica não se limita a discussão partidária.
Os partidos são importantes apenas por um motivo, como diria Jean Paul Satre "somos condenados a ser livres, mas como não lidamos bem com a liberdade optamos por representantes, pois se algo der errado, não teremos culpa de nada, culpados serão os políticos que não nos representam, mais nos quais não deixamos de votar em um ato cívico obrigatório.
Se me perguntarem em que representação eu acredito, digo com clareza que sonho com o mundo que foi muito bem desenhado por Alan Moore e David Lloyd, na obra V de vingança, mostrando um mundo onde a sociedade abre os olhos e se lembra que é a maioria e que como tal ela é capaz de mudar as coisas tais como elas estão.
Mais como essa é uma linda utopia, torço ao menos para que, ao fazer politica partidária, as pessoas não discutam sem base teórica entre si, antes entrem nos sites pessoas e no TSE e pesquisem sobre as propostas de seus candidatos, pois assim se tudo der errado, já sabemos em quem não mais acreditar.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O País dos Outsiders
Fonte: Blog CASES
Num país onde o número dos chamados sem religião aumenta gradativamente, ainda nos pegamos a discutir temas como o ensino religioso dentro das escolas, que em nosso país e considerado apenas como o ensino de dogmas ligados a igreja católica. Como aceitar que existe laicidade neste país, quando grupos chamados minoritários ainda são tratados com desrespeito, como os negros que tem suas demostrações de fé desrespeitadas por carregarem forte estigma sobre seus ritos particulares.
Na verdade vivemos em uma comunidade de outsiders*, onde toda e qualquer particularidade que não esteja ligada a nossa herança educacional cristã é rejeitada e tratada como manifestação imprópria e exótica demais para ser levada a sério. Demostração clara desse desrespeito é o recente Acordo Brasil Santa Sé, que esta sendo votado no Supremo Tribunal Federal (STF). Com um acordo feito entre a igreja católica e o nosso país no que se refere a educação religiosa, como iremos atender com dignidade nas escolas os filhos de todos que possuem uma crença diferente, ou mesmo daqueles que não possuem nenhuma crença?
Voltando na história, me sinto como os índios, nosso povo originário, que foram tão maltratados em nome dessa história ligada a igreja católica.
Laicidade do estado... falsidade do estado, enquanto não houver respeito entre as culturas, essa sempre será mais uma palavra perdida em meio ao dicionário.
*Não existe uma tradução correta para a palavra outsiders, mas a grosso modo poderia dizer que outsiders, na visão sociológica, são todos aqueles que não vivem segundo as regras sociais da maioria.
sábado, 21 de maio de 2011
O Primeiro Dia de Muitas Vidas

Confusões - Discussões Sobre o 1º de Maio
No domingo acordei já era hora do almoço, meu pai então chegava da missa dos trabalhadores da qual ele participa todos os anos na Igreja Matriz de Sâo Bernardo do Campo. Ele entrou no meu quarto dizendo o quanto a missa foi boa, só que ele não entende a parte dos shows, por isso sempre volta para casa após a celebração. Depois do rápido bate papo ele me entregou um folheto que me chamou muito atenção para uma séria reflexão:
"Por que realizamos nossa missa de 1º de Maio na região do ABC?
Para homenagear a memória dos lutadores de 1886 e lembrar que a classe trabalhadora deve sempre continuar lutando por seus direitos, até conquistar vida digna e plena...
Essa parte do folheto me fez relembrar não só do debate do dia anterior, mas antes da razão pela qual meu pai um dia participou de greves, se filiou a um partido e ainda hoje participa de várias discussões politicas na nossa cidade: Ele ainda tem a consciência do poder coletivo.
Vivemos em tempos tão áridos, onde nos descaracterizamos como classe, no mundo do trabalho somos individuos, temos tanto medo de ser somente mais um número que a todo momento precisamos nos fazer notar como seres individuais, depois nos juntamos em grupos para reclamar dos estranhos rumos que nossa politica toma.
A dita esquerda sonhou tanto em chegar ao poder, que uma vez no poder começou a entrar em crise existencial. Afinal, o que fazer quando conseguimos realizar um dos nossos grandes sonhos? O mais lógico seria começar a sonhar com algo novo para a vida não perder o sentindo, contudo, o que noto em meio as dicussões da esquerda hoje em dia é a velha confirmação filosófica de que não sabemos ser livres, por isso não sabemos lidar com nossas grandes conquistas, porque elas nos pedem grandes responsabilidades. Triste fim para uma visão politica na qual acredito com tanto empenho, mas não deixa de ser verdadeiro.
Outra crise politica é essa insegurança direitista que, acostumada com as vitórias sobre tantos utópicos, com a derrota presidencial em mais uma campanha começou a se descaracterizar. Mostrar visíveis desse fato são as crises de um dos partidos de maior representação nessa linha politica, o PSDB, que começou a fazer propagandas(veja o video postado no inicio do blog) que lembram muito as feitas por seus opostos. A criação de novos partidos que são ideologicamente vazios, bem como a falta de um papel claro sobre a função da direita atual e sobre o fato de quem, hoje, pode ser considerado de direita?
Nesse primeiro de maio, dia que relembra lutas tão importantes que foram históricamente travadas, creio que o meu maior desejo seria poder acordar num país que respeita a sua história, mas tem a consciência de que o mundo evolui, e que esses velhos idealistas que estão a frente de tantos sindicatos e partidos contraditórios deveriam apostar numa máxima: na formação politica de jovens representantes da direita e da esquerda. Afinal, política é vida, e como toda vida segue um ciclo, nenhum de vocês, enquanto indíviduo, vai permanecer para sempre a frente das representações sociais.
- A qual movimento você pertence mesmo? - me perguntaram.
- A nenhum, sou apenas uma estudante de educação.
Penso que deveria ter respondido agora de outra forma: Represento o futuro por algum tempo, até que meu filho possa crescer e tomar o meu lugar.
Bolsonaro no País da Hipocrisia
Era uma vez um jovem senhor de velhos costumes que vivia num pequeno planetinha chamado Barbárie666. Nesse pequeno planeta não existiam minorias, as pessoas eram todas brancas, magras, sorridentes e heterossexuais. Não havia corrupção, a família, tradição e a religião eram valores respeitados por todos que temiam a Deus e respeitavam sua Pátria acima de todas as coisas. Todas as tardes ao lado da sua família , o jovem senhor olhava opor do sol e via que tudo aquilo era bom.
Um dia, para seu desespero, enquanto o jovem senhor marchava com seu exército ele se distraiu enquanto observava um coelho que fumava um baseado, como bom capitão ele tentou pegar o coelho para aplicar a devida medida disciplinar, foi quando escorregou e caiu num buraco negro que o levou diretamente para um universo paralelo onde não havia apenas uma raça e sim raças que viviam juntas, homens andavam de mãos dadas com outros homens, mulheres não cuidavam mais dos seus maridos, os filhos não seguiam os sonhos de seus pais, antes construíam seus próprios caminhos. Não existia militares no poder, o que havia ali era a chamada democracia e para que tudo fosse mais insuportável uma mulher, veja só meu Deus, uma mulher estava no poder daquele imenso e tenebroso universo.
Tudo era assustador, o jovem senhor sentia que precisava escapar dali para voltar a viver feliz no seu mundo de perfeição e disciplina. Como ele era muito inteligente sabia que só conseguiria sair dali se fingisse viver em meio aquela gente tão insuportável e diferente, por isso ele resolveu fingir que trabalhava por eles e aos poucos ensinava aquele povo todo, através de seus discursos, o que era viver conforme as regras da tradição, justiça e família. Seu jeito de falar era tão perturbador e diferente que muitos começaram a admirá-lo, e foi assim que ,vendendo a imagem do que seria a perfeição, o jovem senhor se elegeu com 120 mil votos de um povo que, não querendo se declarar preconceituoso, adotava aquela figura como alivio de suas frustrações.
Tudo finalmente corria bem e o jovem senhor já podia avistar, ao longe, o velho buraco negro por onde havia entrado naquele mundo sombrio, mas quando ele pensou estar perto do fim algo inusitado aconteceu: Ele falou a verdade para aquele povo.
A partir daquele dia todos os que o apoiavam se esconderam, deixando que o jovem senhor ficasse preso para sempre em meio ao país da hipocrisia. Sem chances de voltar para o seu planetinha perfeito, o jovem senhor foi infeliz para sempre, vivendo preso em sua mente dentro das regras de um planeta que para ele nunca mais seria verdade.
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A todos aqueles que desprezam a conduta antiética e desumana de Jair Bolsonaro e a todos os que concederam a ele seus votos.
Sobre o Orgulho
Mesmo não podendo opinar, enquanto lia, fazia fichamentos e escrevia pensava no por que eu faço tudo isso?
Simples, minha vida não é só minha, me entrego ao trabalho assim como meu pai um dia se entregou fazendo seu melhor dentro de uma fábrica para garantir que seus filhos nunca vivessem as mesmas terríveis experiências dentro de uma mesma indústria metalurgica. Escrevo por minha mãe, que na quinta série abandonou os estudos porque uma professora gostava de lhe falar o quanto ela era incapaz. Mesmo assim, foi ela que sempre ensino seus filhos a acreditarem em si e nos seus sonhos, mas sempre com os pés no chão.
Estudo pela minha avó materna que se alfabetizou porque invadia as aulas que seu pai ministrava aos meninos filhos da elite, e também o faço por minha avó paterna que morreu sabendo apenas assinar o nome, mas que era dona de uma sabedoria magnifica, que só o povo que sofre e luta sabe ter na vida.
Quero avançar na vida pelo meu avô materno, que pagava pessoas para escrever cartas para minha avó demonstrando o seu amor e luta para lhe dar um futuro bom, também o faço pelo meu avô paterno, homem forte e sofrido que mesmo sabendo apenas poucas letras e operações simples soube criar seus filhos com valores que faltam a muitos ditos intelectuais.
Agora tento avançar também pelo meu filho, pedaço mais caro e bonito de mim, para que ele possa um dia sentir o mesmo orgulho e respeito que aprendi a ter por minha família nessa minha vida.
Acho que esqueci de mencionar, tirando minha mãe e meu filho, todos que fizeram com que eu me transforma-se no que sou hoje são nordestino, todos tão diferentes mais com algo em comum: a força de quem dá valor as pequenas coisas.
Em meu sangue levo uma herança de lutas , não um conjunto de bens materiais, afinal, viver do que eu não conquistei é fácil demais, tanto que até me sobra tempo para gastar com ofensas desnecessárias que não nos levam a nada, além de um minuto de fama e uma vida de exclusão.
Tenho orgulho de ser um pouco desse povo que não é uma raça, mas deve ser respeitada por toda sua força e por tudo que durante anos criou. Afinal, existiria um Paulista de sangue puro, sendo que na região sudeste não há cidade mais nordestina? E mesmo antes deles migrarem o que havia aqui eram tantos descendentes de europeus, na maior parte italianos, todos imigrantes com um pé em outro continente e outro nas fazendas e chãos de fábricas.
O ruim dessa história toda é ver que as pessoas continuam achando que não possuem uma história própria, e que se querem fazer parte da história, primeiro devem aparecer nas pesquisas do Google.
PS: Foto da Casa onde meu Pai nasceu e onde por longos anos, foi feliz com seus irmãos
O Que Eu Aprendo na Escola?
- Por que, Nicholas.
- Porque eu já aprendi tudo o que tinha para aprender lá.
- Nick, a gente sempre tem alguma coisa nova para aprender, sabia?
- E o que eu aprendo na escola que você não pode me ensinar?
- ...
Essa conversa com o meu pequeno me fez lembrar das minha aulas no curso de Pedagogia, onde se falava o tempo inteiro em reencantar a educação. Era um belo discurso para as manhãs, mas me pergunto o que estão fazendo, de fato, fora do espaço acadêmico para cumprir com essa tarefa?
De longe querer criticar o sistema ou mesmo o trabalho desse ou daquele profissional, o problema é perceber que crianças tão novas não estão encontrando na educaçãoaquele ponto atrativo e gostoso que liga ela a vida cotidiana. E eu fico preocupada por uma criança de 4 anos achar que do jeito que as coisas vão na escola o melhor era ficar em casa. Ainda mais porque a educação infantil é extremamente importante para o desenvolvimento das crianças, pois pressupóem um trabalho e avaliação de maneira ampla, que leva em consideração todas as etapas do desenvolvimento, seja ele cognitivo ou não.
Infelizmente, por mais que meu pequeno pareça ser maduro, não posso sentar e explicar para ele que, por lei, sou obrigada a matricular e manter ele numa escola, pois caso o contrário eu posso ser punida por negligência até mesmo com prisão, isso só iria assustar a criança. Contudo, como educadora fico incomodada por não saber responder o que ele aprende na escola que não pode aprender em casa. Não poso deixar de pensar que a escola, ainda mais a infantil, deveria causar um impacto positivo nele e não fazer com que o meu pequeno para e reflita sobre o porque de passar algumas horas de sua pequena vida afastado da família num espaço que, aparentemente, não esta sendo tão atrativo para os seus pequenos olhos.
È preciso reencantar a educação? Certamente sim, mas que esse reencantamento aconteça fora dos livros e da acadêmia, que eles possam se tornar vida e tornar a vida de tantas crianças um tanto mais interessante e repleta de significados positivo.
Onde Estão os Quixotes?

A mensagem relatava a história de uma professora muito observadora que ao ler uma matéria super interessate na revista "Veja" sobre como os estudantes de origem japonesa estão conquistando os cargos mais importantes no mercado de trabalho e tudo isso devido ao seus incansáveis esforços em seus estudos que, segundo a matéria, tomam metade do tempo livre desses jovens e crianças. (interessante, não?)
Essa matéria foi tão significativa para a professora que ela resolveu observar se essses dados eram verdadeiros, como cobaia, utilizou a sobrinha da sua coordenadora pedagógica que havia voltado recentemente do Japão e visitava a escola onde a tia trabalhava. Quando a professora notou a cara de horror que a menina ficou quando observou as salas cheias, com alunos que falavam o tempo todo e não respeitavam a autoridade das professoras, ela se encantou definitivamente pelos alunos japoneses. Ao perguntar para a menina o que acontecia com as crianças que tinham esse comportamente no Japão recebeu a seguinte resposta: Ficam de castigo. E qual é castigo: Não sei, nunca ninguém ficou.
Depois de ler essa matéria e conversar com a menina a conclusão a qual a pessoa chegou foi que o grande problema da educação está nas crianças brasileiras que não são educadas para os estudos, pois seus pais as deixam nas mãos das pobres professoras que ficam responsáveis por toda a criação da criança e ainda ganham mal.
Sim, era mais um email que falava sobre os baixos salários dos professores e da desvalorização dos mesmo que são sempre tão ofendidos com os seus cursos de capacitação e reciclagem. Também não concordo com esses termos para os cursos oferecidos ao professorado, contudo, creio que isso não deveria ofender nenhum docente, afinal, quem escolheu essa profissão deveria ter a consciência de que estudaria para além da faculdade.
O ponto que mais me deixou indignada foi o da comparação entre estudantes brasileiros e japoneses, creio que essa discussão não deveria nem mesmo existir, afinal, são culturas diferentes, não dá pra dizer quem é certo ou errado, além disso, essa visão de que tudo o que nos é diferente é melhor não cai bem para uma pessoa que se dispõem a exercer a função de professor.
Creio que um dos principais problemas da pedagogia no Brasil é que nós nunca criamos uma pedagogia que pudesse ser chamda de pedagogia brasileira, nós sempre seguimos os exemplos de fora, sem levar em consideração o fato dos alunos brasileiros serem culturalmente diferentes dos alunos que podiamos encontrar nos países que nos importam pedagogias.
De fato, o que falta em nosso país são Quixotes, aqueles sonhadores que acreditam no sucesso das batalhas que parecem perdidas, aqueles que arriscam ir contra todas as expectativas e lutar por causas que merecem atenção e suor.
Não sou adepta de Paulo Freire, mais tenho que adimitir que um dia ele teve um sonho, ele lutou contra um grande moinho que transformou seu sistema em mobral. E mesmo agora, depois da sua morte e das suas releituras em meio a cursos de formação, consegue tocar alguns poucos Quixotes escondidos, pena que ao contrário do que ele gostaria parece não existir apoio aos que tentam supera-lo. Dai caimos mais uma vez na rede das comparações e tudo isso porque não conseguimos seguir em frente, apenas aproveitamos o que parece que dá certo em algumas situações.
Anti-Cultural
Cultura
Agricultura
Avicultura
Apicultura
Floricultura
Cultura Estrangeira
Cultura Brasileira
Cultura Popular
Cultura Útil
Cultura Inútil
De que me adianta a cultura?
Se não tenho terra pra plantar
Se a galinha que crio alimenta outra família
Se roubam o mel da minha vida
Se já não há mais jardim, nem flor...
Sorry, diz ‘alguém’ com prato cheio
Cultuando não Machado,mas bundas e peitos
Fugindo do Maracatu pra cair no Samba
E ainda se acha útil...
Você é um inútil,
Você não é ninguém,
Apenas um simples ladrão



