sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sobre o Fazer Político

"Que continuemos a nos omitir da política 
é tudo que os malfeitores da vida pública mais querem". Bertold Brecht

Todo ano eleitoral sempre acontece a mesma coisa no nosso país, as redes sociais se tornam palco de disputas politicas, cada qual defendendo o seu candidato de forma ferrenha, para depois, por quatro, anos, reclamarem da situação do país e de como as coisas aqui não evoluem nunca.
Mas, afinal, o que é fazer politica? Será que a politica se restringe a distribuir santinhos, odiar as pessoas que se opõem ao seu pensamento? Será que fazer politica é simplesmente votar em ano eleitoral?
Platão idealizou um ser capaz de fazer politica de forma coerente, o Rei-filósofo, poi ele "por serem os que mais próximos estão das idéias do Bem, do Belo e do Justo, tem condições de agirem como pastores da sociedade. Pois, lembrava ele, o governo da Razão deve sempre predominar sobre o instável Reino dos Sentimentos". Mesmo admitindo que para fazer politica precisamos de um representante, Platão reconhece que se politica for feita sem a preocupação com a educação e a justiça acaba sendo um fazer politico medíocre que não cumpre com seu propósito.
Quando, no ano passado, milhares de jovens saíram as ruas em manifestações apartidárias, a mensagem que queriam passar é de como os políticos que foram escolhidos por nós não nos representam. Infelizmente, agora próximo das eleições tudo o que vemos é uma dormência ideológica que faz esse povo escolher entre o candidato menos ruim.
Isso seria justo, isso seria educado? Não isso só mostra o quão politicamente deficientes somos quando o assunto é politica partidária, visto que, para muitos, só existe esse fazer politico.
Sobre fazer politico, quando um analfabeto entra no EJA para continuar seus estudos, ele esta fazendo politica, pois acredita que sua vida vai mudar com mais instrução. Quando  um filho de operários chega a universidade e vai além, ele esta fazendo politica, os jovens que se reunem nos espaços culturais das cidades para aprender uma linguagem artística onde possam se expressar estão fazendo politica. Por isso, politica não se limita a discussão partidária.
 Os partidos são importantes apenas por um motivo, como diria  Jean Paul Satre "somos condenados a ser livres, mas como não lidamos bem com a liberdade optamos por representantes, pois se algo der errado, não teremos culpa de nada, culpados serão os políticos que não nos representam, mais nos quais não deixamos de votar em um ato cívico obrigatório.
Se me perguntarem em que representação eu acredito, digo com clareza que sonho com o mundo que foi muito bem desenhado por  Alan Moore e David Lloyd, na obra V de vingança, mostrando um mundo onde a sociedade abre os olhos e se lembra que é a maioria e que como tal ela é capaz de mudar as coisas tais como elas estão.
Mais como essa é uma linda utopia, torço ao menos para que, ao fazer politica partidária, as pessoas não discutam sem base teórica entre si, antes entrem nos sites pessoas e no TSE e pesquisem sobre as propostas de seus candidatos, pois assim se tudo der errado, já sabemos em quem não mais acreditar.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Remendo Histórico




E assim a sonhada liberdade foi decretada, não conquistada. Os negros abandonavam as fazendas com a esperança de nunca mais sofrer com a intolerância dos seus senhores e assim poderem construir um futuro melhor para seus filhos, afinal, era a primeira vez que eles podiam pensar no futuro que viria.
Contudo, uma vez libertos era com se não mais existissem, nas fazendas foram substituídos por imigrantes italianos. Sem ter onde morar, sem direito a educação ou mesmo direito ao trabalho remunerado, acabaram por continuar escravos, mas agora era como se fossem escravos de si mesmos. Assim foram surgindo as favelas, os vendedores ambulante e a persistência da descriminação ao longo dos tempos que acabou gerando muitos dos problemas sociais que hoje enfrentamos.

Mas porque voltar na história e falar novamente sobre esse assunto? Qual a atual relevância desse tema?
Ontem com a aprovação  unanime da constitucionalidade das cotas raciais para o ingresso nas universidades publicas e estaduais todos nós brasileiros participamos de mais uma grande conquista para o nosso país rumo ao combate ao racismo.
Sei que muitos não aprovavam ou mesmo conseguem ver nessa medida um avanço, antes consideram ela como um retrocesso, uma vez que o julgamento deu muito enfoque a questão do negro deixando outras minorias de fora da discussão. Mesmo assim a vejo como uma boa medida, alias, a unica medida de educação compensatória que considero bem sucedida, uma vez que desde que as cotas foram oferecidas, elas tem sido eficientes e hoje o numero de negros que cursam o ensino superior aumentou consideravelmente. Agora temos que esperar as discussões não apenas referentes aos povos oprimidos da nossa terra como os índios e os negros, índios esses que também foram contemplados pelas cotas, afinal, sempre foram os negros dessa nossa terra. O segundo passo agora será a discussão em favor dos estudantes vindos das escolas publicas e os jovens de baixa renda, e espero ansiosa que venha mais uma vitoria em nosso horizonte, afinal de contas, aos poucos o Brasil está mudando, é certo que muito ainda precisa mudar, mas o fato é que enxergar as mudanças nos faz retomar a vontade de lutar por um país melhor que, mesmo que não seja para mim, mas que para o meu filho será um bom lugar para se viver futuramente.

Aos filhos daqueles que plantaram sem nada colher a herança tardia que agora se anuncia.



quarta-feira, 28 de março de 2012

Covardia Sentimental


Acredito que falar sobre educação é discursar sobre os conflitos da vida humana, por isso, falarei sobre um tema dificil nessa área: os sentimentos
Quantas não foram as lutas para que nas nossas relações intimas pudessemos ter mais liberdade e poder de escolha? Antigamente mulheres eram vistas como moeda de troca, eram ensinadas que amor se aprende a sentir com o tempo, mesmo que sua família tenha escolhido o ser mais repugnante para ser o seu parceiro você deveria aceita-lo, nunca questionar seus atos e, por fim, ser sua doce esposa.
Graças a luta de muitas mulheres de coragem conquistamos toda a liberdade que temos atualmente, fazemos parte do mercado de trabalho, nossa escolaridade aumentou e muito, temos liberdade sexual para escolher o parceiro que quisermos e mesmo para simplesmente fazermos sexo casual. Contudo o que estamos fazendo com a liberdade adquirida ao longo de todos esses anos de lutas de mulheres realmente fortes quando o assunto são nossos sentimentos ?
Me incomoda ver exemplos de meninas novas que acham que qualquer coisa que fale de sentimento é algo infantil, como se desejar carinho ou ser amada fosse algo muito errado. Declarar amor verdade hoje em dia é a nossa kriptonita, e quem quer ser fraco, não é mesmo.
Parece que, confusas, estamos utilizando toda nossa liberdade sexual para ser tão ignorantes como alguns homens machistas que nos tratavam como pedaços de carne. Sim, temos mania de falar que os homens são todos iguais, mas não conseguimos fazer a diferença na vida de nenhum deles. Com essa afirmação não estou demostrando ser uma mulher machista, ao contrário, sou feminista, marxista, mas nunca serei extremista  e sim, acho que no mundo falta muito carinho, amor e demostrações de afeto. Afinal de contas, se só dermos valor ao coito, a uma boa pegada, o que vai nos separar dos demais animais?
Sim, por mais que tentemos negar nossa natureza animal, ela tem crescido cada vez mais dentro de nós, não só de mulheres, como dos homens também, sinto-me, por vezes, vivendo dentro do Admirável Mundo Novo, onde fazemos sexo apenas por prazer e somos viciados em soma, fazendo com que o mundo seja sempre movimentado, produtivo, mas vazio de sentimentos.
Temos que reaprender a sentir, reinventar e dar novo sentido as nossas relações que podem ser abertas, fechadas, ter a denominação que quisermos, contanto que não nos esqueçamos que demonstrar sentimentos não é fraqueza, antes é a lembrança do quão humanos somos e de como precisamos do outro para evoluir em nossa vida.
Dificil encontrar uma pessoa que nunca tenha vivido uma dura experiência no campo dos sentimentos que acaba deixando a pessoa com medo de novas relações, contudo, viver sobre a ótica do medo é não aceitar uma grande verdade proclamada pelo grande filósofo Satre: Nós somos condenados a ser livres. Portanto temos a liberdade para fazermos o que bem entender, contudo, quando as coisas derem errado não  é correto culpar o outro por isso, uma vez que em toda relação que não dá certo não existe um unico culpado, existe um conjunto de fatores que nos levam ao fim. Escolher passar por isso também é uma escolha individual, e permanecer com medo também.
Por isso digo, ainda sonho com o dia em que nós mulheres e homens saberemos usar a liberdade que temos dando espaço aos sentimentos para que não nos tornemos por um todo animais, que não sentem, apenas copulam por instinto.
Pensem nisso antes de começarem uma guerra entre os sexos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Toda Criança é Especial


LINK FILME INTEIRO LEGENDADO: Taare Zameen Par - Toda Criança é Especial

A minha amiga e educadora Sarah Helena

O termo criança especial, atualmente utilizado como referencia a portadores de deficiência física e mental, pode ser utilizado de maneira mais ampla se levarmos em consideração que todas as crianças são, de fato, especiais, afinal todo o individuo é dotado de certas características que os fazem ser todos diferentes no seu modo de ver ser, aprender e conviver com as pessoas. Por que então dentro da escola, tratamos nossas crianças de modo homogêneo, sendo que todas são diferentes umas das outras?
Ao assistir indiano intitulado, Toda Criança é Especial, recomendado por amigos educadores no Facebook, decidi fazer esse post  e falar um pouco sobre as minhas impressões sobre o filme, que julgo ser um filme tão expressivo que deveria ser assistido por todos os que trabalham com educação.
O Filme conta a história do garoto Ishan, que rotulado por suas professoras como indisciplinado e incapaz de obter qualquer avanço significativo no seu aprendizado, se vê envolvido em meio a um dilema familiar, onde sua família tenta fazer o "melhor" para que ele não seja considerado uma criança deficiente. Para piorar a vida do garoto, ele é o tempo inteiro comparado ao seu irmão, que bem sucedido nos estudos, possui o perfil de campeão que todos os pais almejam a seus filhos.
Aqui cabe fazer a primeira reflexão sobre o filme, o que os pais esperam para o futuro de seus filhos? Dificilmente uma família quando cria uma criança gostaria de imaginar um futuro de dificuldades, em geral, o ideal de filho seria o do filho perfeito, aquele que só trás orgulho e honra para casa. Logo, se a criança apresenta algumas dificuldades as famílias entram em conflito compostos de etapas semelhantes a descoberta de uma deficiência grave: Negação, luto e aceitação.
No caso do garoto do filme, a diretora da escola, diante do péssimo desempenho escolar do menino sugere que ele possa sofrer de alguma deficiência mental grave, os pais do garoto, com sentimento de ofensa, resolve matricular o garoto num colégio interno, pois acham que tudo o que o garoto precisa é de disciplina mais rigorosa. Infelizmente a medida acaba prejudicando mais do que ajudando o garoto que, na verdade sofre de dislexia, diagnosticada por um professor substituto de artes que se interessa em saber porque um de seus alunos é tão quieto.
A dislexia que pode ser encarada como uma doença mental não é nada alem, como relatado no blog citado, é um jeito diferente de se aprender, que reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes brilhante, até mesmo genial, mas que aprende de maneira diferente.
Nossos rostos diferentes e únicos já poderiam servir de pista a um simples verdade: nós, seres humanos, não aprendemos todos da mesma forma, e mesmo as pessoas consideradas muito inteligentes não conseguem ser boas em todas as áreas do conhecimento, porque julgar então que uma mesma maneira de conta de educar todas as crianças dentro da escola? 
Existe uma teoria chamada de Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner que, resumidamente, nos sugere que cada pessoa possui habilidades voltadas para campos específicos do conhecimento, campo esse que deve merecer maior atenção no desenvolvimento das habilidades da pessoa. No caso do garotoa Ishan, ele possuía inteligência acima da média, e seu campo de maior concentração era o das artes, pois conseguia se expressar perfeitamente através de suas pinturas que eram ricas em detalhes. 
Essa é uma das primeiras teorias que deveriam ser ensinadas nos cursos de formação docente por mostrar uma abordagem diferente sobre o significado que seria inteligencia, contudo, na maioria das vezes ele é apenas citado e cabe aos alunos, caso lhes interesse, pesquisar mais profundamente sobre a teoria. Creio que por isso, e pelas facilidades de se homogenizar as pessoas, é que ainda continuamos tratando nossos alunos como se eles fossem todos iguais, como se nenhuma criança fosse tão especial.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ensino Superior?


Porque depois de democratizar o acesso ao ensino fundamental, a próxima meta para fazer o Brasil crescer é a democratização do Ensino Superior...
Manchetes de alguns jornais anunciam a demissão em massa de professores mestres e doutores das faculdades que foram compradas pela  Anhanguera Educacional Participações S/A no final deste ano...

Qual a ligação entre essas duas afirmações? Ironicamente, na ultima segunda-feira (19/12) enquanto os jornais anunciavam a demissão em massa dos professores, a presidenta Dilma falava no Programa Café com a Presidenta sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras  que visa fornecer bolsas de estudos para os estudantes que conseguirem boas notas na prova do ENEM, com isso o programa procura preparar melhor os profissionais para algumas áreas especificas, onde o nosso país sofre de carência de profissionais, além de universalizar o ensino superior independente da classe a que os estudantes pertencem,
Realmente, estudar no exterior vai ser uma ótima experiência para muitos estudantes contemplados pelas bolsas, mas qual será o futuro dos estudantes que continuarem seus estudos no nosso país? Se levarmos em conta que o exemplo das recentes demissões realizadas nas instituições do Grupo Anhanguera, podemos afirmar que o futuro da ensino superior não será nada animador, uma vez que mestres e doutores foram mandados embora para dar lugar a graduados e especialistas que acabam sendo mais lucrativos para a empresa. 
Infelizmente o ensino superior atualmente esta ligado ao termo empregabilidade, não se estuda para a formação intelectual, toda a formação é técnica e voltada para o mercado de trabalho que pede cada vez mais agilidade na formação, as pessoas já não podem se preparar bem,elas devem apenas acumular diplomas. E mesmo diante de denuncias como a mudança nas grades curriculares a falta de qualidade e preparo dos professores que trabalham nas instituições de ensino pertencentes ao grupo Anhanguera, o numero de alunos nelas não para de crescer, unica e simplesmente porque possuem um preço demasiadamente mais barato se comparado a instituições particulares mais renomadas. Porque o que conta não é a qualidade do ensino, antes é sua praticidade e rapidez.
Outro fator importante a se apontar e a crise educacional na qual o Grande ABC irá mergulhar, uma vez que a maior parte de suas instituições agora pertencem ao Grupo Anhanguera. Logo cabe a reflexão: será que essa região esta fadada a viver a homogeneidade do pensamento? Seria essa a recompensa pelo papel histórico fundamental que a mesma exerceu para o crescimento da cidade de São Paulo? Cabe a nós moradores e intelectuais da região ficarmos atentos a mudanças que ainda estão por vir.
O programa Ciência sem Fronteiras pode sim, em alguns aspectos, ser uma boa solução para a democratização do ensino superior, contudo, aos que aqui ficarem cabe a coragem de acreditar que num futuro distante, a educação neste nível possa se tornar de fato superior e não continuar sendo inferior se comparada aos demais países.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Intelectual


Outro dia, ao conversar com um amigo falando sobre meu pouco tempo para escrever devido aos congressos que tenho de participar este semestre ele brincou comigo me questionando:
- Afinal de contas, você faz o que, medicina?
Ri da piada do rapaz, mas por outro lado não deixei de me sentir um pouco incomodada com as meias verdades que essa brincadeira trouxe em si, afinal de contas, será que intelectuais só podem ser aqueles indivíduos que não estejam diretamente ligados a área educacional?
No imaginário popular, intelectuais, em geral, sempre foram os médicos, profissionais da área de direito e engenharia. Não nego que há muito tempo atrás, professores já foram considerados como sendo profissionais altamente qualificados e intelectualizados, contudo, isso ocorria numa época onde o que predominavam eram os preceptores e a educação era unica e exclusivamente para elite. Quando a escola começou a se abrir para o povo, seu status foi se degradando, as elites foram migrando para instituições particulares e a profissão de professor foi sendo gradualmente desvalorizada. Por isso, que um professor participar de tantos eventos científicos parece um tanto estranho.
Contudo não seria essa a saída para se obter uma educação e até mesmo valorização profissional, o professor se intelectualizar?
Atualmente, no meio acadêmico, muito se fala sobre o professor pesquisador, sobre programas de "reciclagem" nas redes, mas o grande problema é que o professor, em geral, não se vê como um intelectual e quando muito segue os manuais e apostilas que caem em suas mãos.
Dai ficamos vivendo em meio a esses dilemas de como ensinar crianças o gosto pela leitura se muitos professores não aguentam ler um livro inteiro? Como ensinar sobre matérias sobre as quais não temos domínio? Apesar da fala sobre o professor pesquisador agradar muito e não sair da boca de muitos docentes, a sua prática esta longe de ser verdadeira, pois no inicio de carreira até temos a noção de que teremos que estudar durante a vida inteira, contudo, com o passar do tempo e a influência dos colegas de trabalho, acabamos seguindo fórmulas, pré-elaboradas que tornam nossas aulas muito instrumentais e pouco reflexivas.

Como educadora, pesquisadora e intelectual, gosto de dividir o pouco que sei com os demais, não somente colegas de profissão como com os interessados pelo tema Educação, assim, faço dos meus conhecimentos acadêmicos algo mais útil do que simplesmente publicações restritas a acadêmia. Participo de muitos eventos? Sim, e faço isso com prazer, para conhecer novos temas, pessoas, dividir experiências e conceitos, mas não me tornar puramente conceitual. E nas horas vagas sempre me sobra tempo para estudos sobre politica, literatura, musica, história, poesia, porque, ao contrário do que muitos pensam, educação também é uma ciência e como tal exige profissionais capazes de ir além do que esperam deles. profissionais que saibam que sua função não é fazer as pessoas Aprenderem a Aprender, porque aprender é algo inerente a raça humana, antes nosso trabalho é fazer com que essa aprendizagem seja profunda, para que, futuramente, a educação alcance níveis elevados porque não apenas ensinamos, antes instigamos o pensar, exercício que deve ser praticado por toda nossa vida acadêmica e pessoal.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Educação Estatística


Não foi pequeno o numero de pessoas que ficaram chocadas diante da noticia de que um menino de apenas 10 anos atirou em sua professora e, em seguida, se matou, na Escola Municipal de Ensino Alcina Dantas Feijão, na cidade de São Caetano do Sul, no ultimo dia 22 de setembro de 2011.
Todos se perguntam o que se passou na cabeça de uma criança tão nova para cometer tal ato de violência. Seria a falta de amor? A falta de Segurança? A falta de profissionalismo da professora? Ou o grito de socorro desesperado de quem quer atenção?
Creio que mais do que tentar responder essas perguntas, cabe a todos nós fazer a seguinte reflexão: para onde nossa educação estatística vai nos levar?
Atualmente, quando se fala em desenvolvimento educacional a primeira coisa que nos é apresentada são dados estatísticos, vide exemplo do vídeo de propaganda Educação: Uma Agenda Urgente. Lançado nas mídias sociais após o Congresso Internacional: Educação, uma agenda urgente, realizado entre os dias 13 e 16 de setembro.
Creio que as ideias e discussões levantadas neste congresso são realmente relevantes para o crescimento econômico do nosso país, mas algo que não fica claro a todos nós quando falamos de desenvolvimento educacional é a seguinte questão: Que tipo de pessoas queremos formar nas escolas? Essa é uma pergunta que, desde, 1930, com o começo do pensamento da escola aberta para o povo, não conseguimos responder. Temos apenas a consciência de que a educação é importante, mas qual é sua finalidade e função social?
Um termo muito utilizado atualmente é o da educação para a empregabilidade, educação que visa apenas preparar o homem para o mercado de trabalho, fazendo com que ele adquira competência para se adaptar as necessidades do mercado de trabalho.
Partindo desse principio, nosso trabalho nas escola fica vazio do sentindo humano da educação, professores trabalham preocupados com as notas que suas escolas vão receber no Ideb , preocupam-se em atingir metas que, uma vez atingidas, acabam por não significar nada para os alunos que participam do processo educacional.
Toda essa história me remete as minhas leituras e estudos sobre a Violência Simbólica, de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, conceito que nunca foi muito bem aceito pelos professores por sua veracidade, pois segundo os autores, a classe dominante impõem sua cultura aos dominadas, e não existe lugar na vida social mais apropriado para essa imposição do que a escola que exerce papel fundamental na legitimação da violência simbólica.
Esse acontecimento também me remete a tantos encontros de educação dos quais eu já participei e de como, em meio a discussões acadêmicas já desejei encontrar representantes do povo que tivessem a coragem de se levantar e dizer: Desculpe, mas as coisas não acontecem desse jeito...
Contudo, com nossas escolas criadas para o mal e não para o bem, tudo o que podemos observar, e a mídia se fartando com a noticia de um aluno que, em seu último grito de desespero, preferiu se matar a viver nessa realidade paralela onde todos defendem a escola, mas ninguém suporta viver dentro dela.