sábado, 21 de maio de 2011

Sobre o Orgulho

Acervo Próprio

Presa em meio a escrita de um projeto de pesquisa nem pude opinar sobre a lamentável estudante de direito que falou tão mau do povo nordestino após o nordeste eleger Dilma como a nossa próxima presidente.
Mesmo não podendo opinar, enquanto lia, fazia fichamentos e escrevia pensava no por que eu faço tudo isso?
Simples, minha vida não é só minha, me entrego ao trabalho assim como meu pai um dia se entregou fazendo seu melhor dentro de uma fábrica para garantir que seus filhos nunca vivessem as mesmas terríveis experiências dentro de uma mesma indústria metalurgica. Escrevo por minha mãe, que na quinta série abandonou os estudos porque uma professora gostava de lhe falar o quanto ela era incapaz. Mesmo assim, foi ela que sempre ensino seus filhos a acreditarem em si e nos seus sonhos, mas sempre com os pés no chão.
Estudo pela minha avó materna que se alfabetizou porque invadia as aulas que seu pai ministrava aos meninos filhos da elite, e também o faço por minha avó paterna que morreu sabendo apenas assinar o nome, mas que era dona de uma sabedoria magnifica, que só o povo que sofre e luta sabe ter na vida.
Quero avançar na vida pelo meu avô materno, que pagava pessoas para escrever cartas para minha avó demonstrando o seu amor e luta para lhe dar um futuro bom, também o faço pelo meu avô paterno, homem forte e sofrido que mesmo sabendo apenas poucas letras e operações simples soube criar seus filhos com valores que faltam a muitos ditos intelectuais.
Agora tento avançar também pelo meu filho, pedaço mais caro e bonito de mim, para que ele possa um dia sentir o mesmo orgulho e respeito que aprendi a ter por minha família nessa minha vida.

Acho que esqueci de mencionar, tirando minha mãe e meu filho, todos que fizeram com que eu me transforma-se no que sou hoje são nordestino, todos tão diferentes mais com algo em comum: a força de quem dá valor as pequenas coisas.
Em meu sangue levo uma herança de lutas , não um conjunto de bens materiais, afinal, viver do que eu não conquistei é fácil demais, tanto que até me sobra tempo para gastar com ofensas desnecessárias que não nos levam a nada, além de um minuto de fama e uma vida de exclusão.
Tenho orgulho de ser um pouco desse povo que não é uma raça, mas deve ser respeitada por toda sua força e por tudo que durante anos criou. Afinal, existiria um Paulista de sangue puro, sendo que na região sudeste não há cidade mais nordestina? E mesmo antes deles migrarem o que havia aqui eram tantos descendentes de europeus, na maior parte italianos, todos imigrantes com um pé em outro continente e outro nas fazendas e chãos de fábricas.
O ruim dessa história toda é ver que as pessoas continuam achando que não possuem uma história própria, e que se querem fazer parte da história, primeiro devem aparecer nas pesquisas do Google.



PS: Foto da Casa onde meu Pai nasceu e onde por longos anos, foi feliz com seus irmãos

O Que Eu Aprendo na Escola?

Acervo Próprio


-Mãe, é sério eu não presciso mais ir para escola.
- Por que, Nicholas.
- Porque eu já aprendi tudo o que tinha para aprender lá.
- Nick, a gente sempre tem alguma coisa nova para aprender, sabia?
- E o que eu aprendo na escola que você não pode me ensinar?
- ...

Essa conversa com o meu pequeno me fez lembrar das minha aulas no curso de Pedagogia, onde se falava o tempo inteiro em reencantar a educação. Era um belo discurso para as manhãs, mas me pergunto o que estão fazendo, de fato, fora do espaço acadêmico para cumprir com essa tarefa?
De longe querer criticar o sistema ou mesmo o trabalho desse ou daquele profissional, o problema é perceber que crianças tão novas não estão encontrando na educaçãoaquele ponto atrativo e gostoso que liga ela a vida cotidiana. E eu fico preocupada por uma criança de 4 anos achar que do jeito que as coisas vão na escola o melhor era ficar em casa. Ainda mais porque a educação infantil é extremamente importante para o desenvolvimento das crianças, pois pressupóem um trabalho e avaliação de maneira ampla, que leva em consideração todas as etapas do desenvolvimento, seja ele cognitivo ou não.
Infelizmente, por mais que meu pequeno pareça ser maduro, não posso sentar e explicar para ele que, por lei, sou obrigada a matricular e manter ele numa escola, pois caso o contrário eu posso ser punida por negligência até mesmo com prisão, isso só iria assustar a criança. Contudo, como educadora fico incomodada por não saber responder o que ele aprende na escola que não pode aprender em casa. Não poso deixar de pensar que a escola, ainda mais a infantil, deveria causar um impacto positivo nele e não fazer com que o meu pequeno para e reflita sobre o porque de passar algumas horas de sua pequena vida afastado da família num espaço que, aparentemente, não esta sendo tão atrativo para os seus pequenos olhos.
È preciso reencantar a educação? Certamente sim, mas que esse reencantamento aconteça fora dos livros e da acadêmia, que eles possam se tornar vida e tornar a vida de tantas crianças um tanto mais interessante e repleta de significados positivo.
Outubro/2010

Onde Estão os Quixotes?


Por esses dias recebi um email com o seguinte assunto: Professores (não deixem de ler). Nem preciso dizer que me interessei imediatamente, afinal, sou uma estudante de Pedagogia prestes a me formar e declaradamente apaixonada pela minha área.
A mensagem relatava a história de uma professora muito observadora que ao ler uma matéria super interessate na revista "Veja" sobre como os estudantes de origem japonesa estão conquistando os cargos mais importantes no mercado de trabalho e tudo isso devido ao seus incansáveis esforços em seus estudos que, segundo a matéria, tomam metade do tempo livre desses jovens e crianças. (interessante, não?)
Essa matéria foi tão significativa para a professora que ela resolveu observar se essses dados eram verdadeiros, como cobaia, utilizou a sobrinha da sua coordenadora pedagógica que havia voltado recentemente do Japão e visitava a escola onde a tia trabalhava. Quando a professora notou a cara de horror que a menina ficou quando observou as salas cheias, com alunos que falavam o tempo todo e não respeitavam a autoridade das professoras, ela se encantou definitivamente pelos alunos japoneses. Ao perguntar para a menina o que acontecia com as crianças que tinham esse comportamente no Japão recebeu a seguinte resposta: Ficam de castigo. E qual é castigo: Não sei, nunca ninguém ficou.
Depois de ler essa matéria e conversar com a menina a conclusão a qual a pessoa chegou foi que o grande problema da educação está nas crianças brasileiras que não são educadas para os estudos, pois seus pais as deixam nas mãos das pobres professoras que ficam responsáveis por toda a criação da criança e ainda ganham mal.
Sim, era mais um email que falava sobre os baixos salários dos professores e da desvalorização dos mesmo que são sempre tão ofendidos com os seus cursos de capacitação e reciclagem. Também não concordo com esses termos para os cursos oferecidos ao professorado, contudo, creio que isso não deveria ofender nenhum docente, afinal, quem escolheu essa profissão deveria ter a consciência de que estudaria para além da faculdade.
O ponto que mais me deixou indignada foi o da comparação entre estudantes brasileiros e japoneses, creio que essa discussão não deveria nem mesmo existir, afinal, são culturas diferentes, não dá pra dizer quem é certo ou errado, além disso, essa visão de que tudo o que nos é diferente é melhor não cai bem para uma pessoa que se dispõem a exercer a função de professor.
Creio que um dos principais problemas da pedagogia no Brasil é que nós nunca criamos uma pedagogia que pudesse ser chamda de pedagogia brasileira, nós sempre seguimos os exemplos de fora, sem levar em consideração o fato dos alunos brasileiros serem culturalmente diferentes dos alunos que podiamos encontrar nos países que nos importam pedagogias.
De fato, o que falta em nosso país são Quixotes, aqueles sonhadores que acreditam no sucesso das batalhas que parecem perdidas, aqueles que arriscam ir contra todas as expectativas e lutar por causas que merecem atenção e suor.
Não sou adepta de Paulo Freire, mais tenho que adimitir que um dia ele teve um sonho, ele lutou contra um grande moinho que transformou seu sistema em mobral. E mesmo agora, depois da sua morte e das suas releituras em meio a cursos de formação, consegue tocar alguns poucos Quixotes escondidos, pena que ao contrário do que ele gostaria parece não existir apoio aos que tentam supera-lo. Dai caimos mais uma vez na rede das comparações e tudo isso porque não conseguimos seguir em frente, apenas aproveitamos o que parece que dá certo em algumas situações.
Como futura educadora só posso questionar, me indignar e esperar que um dia a situação mude e possamos enxergar qualidades em nosso país e em nossos alunos.

Agosto/2009

Anti-Cultural

Cultura

Agricultura

Avicultura

Apicultura

Floricultura

Cultura Estrangeira

Cultura Brasileira

Cultura Popular

Cultura Útil

Cultura Inútil

De que me adianta a cultura?

Se não tenho terra pra plantar

Se a galinha que crio alimenta outra família

Se roubam o mel da minha vida

Se já não há mais jardim, nem flor...

Sorry, diz ‘alguém’ com prato cheio

Cultuando não Machado,mas bundas e peitos

Fugindo do Maracatu pra cair no Samba

E ainda se acha útil...

Você é um inútil,

Você não é ninguém,

Apenas um simples ladrão

Do suor de outrem

Dezembro/2005

Regras a Seguir

(Acervo Próprio)

Nestas linhas contém a explicação do por quê eu tenho tanto medo de mostrar aos outros o que eu escrevo. Confiram:


Regras a Seguir



Não importa a função que se exerça, em todas as carreiras profissionais temos regras de conduta e ética a seguir. O profissionalismo tem de estar sempre em primeiro plano.


Na área educacional não poderia ser diferente, pois o profissional desta área tem o dever absoluto de formar cidadãos , que mais tarde cuidaram do nosso tão precioso e estimado futuro da nação.


Os professores devem ser admirados e agraciados em todos os dias da vida de um discente, pois este tão estimado profissional é capaz de fazer os mais admiráveis sacrifícios em prol do bem de seus alunos, visto que estes são os possuidores de muitos conhecimentos e verdades que desconhecemos. Resumidamente falando, eles são nossos espelhos, pois neles vemos refletidos as maneiras corretas de se ser e agir.


Muitas vezes para atingirem o seus objetivos, eles são obrigados a abrirem os olhos de seus alunos e com a suas bondosas canetas vermelhas ensinar-lhes a verdade absoluta dos manuais sem mistificações ou fatos irreais. Em outras circunstâncias, obrigarem seus alunos a pensar e trilhar o caminho certo, afinal, não há paradigma a ser quebrado ou planejamento a ser mudado. O que esses pobres profissionais encontram são alunos sempre indisciplinados, nada mais. Pois crianças são todas iguais, não há como e nem por onde diferencia-las.
Depois de dezesseis anos de estudos, pode-se entender o papel que certa profissional tivera em minha vida, afinal, se não fosse seus prestimosos serviços de repressão a fantasias infantis seria eu um ser menor do que sou. Pois seguindo o exemplo da ‘minha querida professora’, desejo ser mais, muito mais que uma mulher insatisfeita com meu serviço e salário, um ser que aliena seus alunos por saber que dar instruções é mais fácil que ensinar.


Pretendo ser capaz de ouvir vozes e não de tranca-las por tempo indeterminado em uma redoma de vidro quase que intransponível , se não fossem algumas rachaduras feitas por outra profissional anti-ética e um tanto poética



Dezembro/2005